domingo, 19 de maio de 2013

RUY CASTRO E UMA COLETÂNEA DE FRASES




Olá,
Hoje trago uma coletânea  de frases do Ruy Castro sobre mulheres, amor e mau humor. 
Ruy Castro tem aquilo que chamo de  "alma carioca", embora seja  naturalmente mineiro de Caratinga. 
Ele se intitula "um carioca que nasceu longe de casa", palavras dele, que podem ser conferidas numa entrevista bem carioca  no link abaixo:  http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/ruy-castro . 
A foto foi retirada de w.ww.entretenimento.band.uol.com.br

Ruy Castro escreveu sobre a bossa nova, sobre Garrincha, Carmen Miranda, Nelson Rodrigues, sobre o bairro de Ipanema, sobre o Flamengo. E sobre Olavo Bilac na obra de ficção Bilac vê estrelas.  Também tem traduções, livros de ficção, literatura infanto juvenil e atua como critico literário, autor de resenhas etc. Eu GOSTO MUITO do estilo do Ruy Castro e claro, da ironia e humor presentes nos  livros: O Melhor do Mau humor, o Amor de Mau Humor e o Poder de Mau Humor, de onde foram tiradas as frases abaixo. Para um domingo meio sol, meio chuva, pequenas doses de bom humor, mau humor, bom humor, mau humor ...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.








"Sex appeal é 50% o que você tem e 50% o que as pessoas pensam que você tem."  

(Sophia Loren, atriz italiana)








"Todos os cafajestes que conheci na minha vida eram uns anjos de pessoas."

(Leila Diniz, atriz brasileira)








"Sou a mulher mais corajosa que conheço. Na intimidade, podem me chamar de Nara Coração de Leão." 

(Nara Leão, cantora brasileira, em 1965, quando falava cobras e lagartos dos militares pelos jornais)







"A natureza lhe deu o rosto que você tem aos vinte anos. Cabe a você merecer o que terá aos cinqüenta."

(Coco Chanel, costureira francesa)








"Não sou mulher pra de cinco às sete. Sou mulher full-time." 

(Danuza Leão, jornalista brasileira, explicando por que não namoraria um homem casado)









"A vida é dura. Os homens não gostarão de você se você não for bonita _ e as mulheres não gostarão de você se você for." 


(Aghata Christie, escritora inglesa)









"Sempre digo que uma mulher deve se casar por amor — e continuar se casando até encontrá-lo." 

(Zsa Zsa Gabor, atriz americana)





terça-feira, 7 de maio de 2013

"TEXTOS LONGOS NÃO SÃO LIDOS"

Olá, 

Hoje começo falando de uma frase que li na televisão.
Estava eu passeando pelos canais, já que, coisa rara aqui em casa, o controle remoto estava livre, quando me deparei com o Programa da Palmirinha, no canal 81 da NET,  Bem simples,  já no final. 
De vez em quando eu dou uma olhada no Programa da Palmirinha, confesso que muito mais pela simpatia da apresentadora do que pelas receitas (que me  parecem muito apetitosas) , mas não sou muito fã de culinária, afinal sou cliente de DELIVERY e também de comer fora: comida com com serviço é uma das melhores coisas do mundo!  Mas chega de falar de comida, afinal este blog é sobre textos!

Mas lá estava a Palmirinha, no final do Programa, com um cartaz que dizia: 
"seja breve na internet - textos longos não são lidos". 
Acho interessante a forma como ela usa a mídia e como isto pode motivar positivamente outras pessoas  da mesma geração.  Mas o fato é que fiquei pensando: se fosse seguir esta filosofia de "textos longos não são lidos, eu deveria tirar o meu blog do ar"!  
Mas não é bem assim...

Em tempos de mídia fácil, imagens, tags, nuvens, sms, etc  realmente,  textos longos não são lidos por quem não gosta de ler. Em compensação, são lidos por quem quer, quem gosta, quem se interessa.  
É por isto o meu blog ainda está no ar, porque independente da quantidade de pessoas que lêem as postagens que publico,  o importante é quem vem aqui (e volta!) quem gosta de ler, quem procura um texto interessante, quem procura um texto para uso profissional, quem procura determinado autor e vem parar aqui, quem é da educação e vem em busca de um texto para uso profissional.
 Afinal, o blog não se chama coletânea de textos por acaso!
 Se fosse fazer um blog por modismo, para ter muitos acessos, para ter milhões de seguidores, não precisaria de um blog, seria só postar  pequenas frases no twiter e no facebook usando palavras da moda, um pseudonimo talvez, umas fotos chamativas, enfim, o blog COLETÂNEA DE TEXTOS, está no ar...  Para quem, como eu, gosta... de ler!

E para quem gosta de ler, uma dica do  livro que estou lendo  atualmente: 
"A LIVRARIA 24 HORAS DO Mr. PENUMBRA", 
livro que mistura a história da criação dos livros, tecnologia, RPG e cinema num enredo fascinante!
Um outro livro interessante,  que no início nos dá um panorama da história da escrita é 
"Escrito do Antigo Oriente e Fontes Biblícas", 
para quem gostar do assunto.

Abraços,

Eliete Nascimento.


domingo, 24 de março de 2013

FERNANDO PESSOA







"Há  um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."


(Fernando Pessoa)

sábado, 23 de março de 2013

TUDO MUDOU


Olá,
Hoje trago um texto que recebi por email do 
Contando Histórias, um grupo do qual recebo 
mensagens.Na web este  texto circula como se fosse 
de autoria do Luis Fernando Veríssimo, mas há 
controvérsias! Costumo colocar textos retirados de 
publicações ou textos célebres cuja autoria pode ser 
comprovada, mas neste caso, não tenho certeza.
Mas achei muito interessante...
A imagem foi tirada de tramavirtual.uol.com.br


Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


TUDO MUDOU
O rouge virou blush 
O pó-de-arroz virou pó-compacto 
O brilho virou gloss 
O rímel virou máscara incolor 
A Lycra virou stretch 
Anabela virou plataforma 
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã 
Que virou lib, 
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento 
A escova virou chapinha 
'Problemas de moça' viraram TPM 
Confete virou MM 
A crise de nervos virou estresse 
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou musse 
Os halteres viraram bomba 
A ergométrica virou spinning 
A tanga virou fio dental 
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê... 
Ping-Pong virou Babaloo 
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão 
O espaguete virou Miojo pronto 
A paquera virou pegação 
A gafieira virou dança de salão 
O que era praça virou shopping 
A areia virou ringue
A caneta virou teclado 
O long play virou CD 
A fita de vídeo é DVD 
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis 
O álbum de fotos agora é mostrado por email 
O namoro agora é virtual 
A cantada virou torpedo 
E do 'não' não se tem medo 
O break virou street 
O samba, pagode 
O carnaval de rua virou Sapucaí 
O folclore brasileiro, halloween 
O piano agora é teclado, também 
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis 
Polícia e ladrão virou counter strike 
Folhetins são novelas de TV 
Fauna e flora a desaparecer 
Lobato virou Paulo Coelho 
Caetano virou um chato 
Chico sumiu da FM e tv 
Baby se converteu 
RPM desapareceu 
Elis ressuscitou em Maria Rita 
Gal virou fênix 
Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis, 
Todos anjos 
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe 
A bala antes encontrada agora é perdida 
A violência, coisa maldita! 
A maconha virou calmante 
O professor virou  facilitador 
As lições já não importam mais 
A guerra superou a paz 
E a sociedade ficou incapaz...
De tudo. 
inclusive de notar essas diferenças. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CÉU AZUL NO RIO DE JANEIRO




Foto retirada de g1.com.br

Hoje foi um daqueles dias abençoados no Rio de Janeiro  (embora eu  continue achando que deveria ser feriado, afinal ficamos assistindo a entrega do Oscar, que eu errei no palpite!), mas hoje pela manhã o céu estava de um azul impressionante e o que é melhor, não havia uma nuvem sequer no céu.
Um dia espetacular!
Meu esposo que trabalha na área de química, me conta uma história de alguns anos atrás, que um pesquisador alemão fazendo estudos aqui no Rio foi até a instituição onde ele trabalha. 
A um dado momento o pesquisador alemão vai para o lado de fora e fica olhando o céu, fascinado, estupefato. A um dado momento ele pergunta algo mais ou menos assim:
" o céu aqui é sempre assim com esse azul"?
 As vezes tenho a impressão de que alguns moradores do  Rio nem reparam muito nisso, mas eu ainda sou dessas que olham  para o céu, que repara o céu dia e noite,  que repara no dia,  que sente o vento, que sente na pele o calor (não preciso nem falar que eu gosto de calor!) 
De vez em quando vou para o trabalho caminhando e  no mês de janeiro, na Rua Ibituruna, vi um bando de micos andando pelos fios e claro, parei e tirei algumas fotos com o celular. Eles estavam indo até algumas castanheiras que ficam naquela rua. 
Coisas do Rio...






domingo, 24 de fevereiro de 2013

OSCAR 2013



"Até  na entrega do Oscar tem gente querendo aparecer atrás das câmeras!"...
 Com este comentário feito pela minha filha, começou a "festa do Oscar" aqui em casa.
No meu governo, será  feriado na segunda-feira após o domingo de entrega do Oscar, afinal, é o evento do CINEMA!
Para quem gosta de filme é um prato cheio.
Mas tem aqueles que gostam mais da badalação do que dos filmes, tem os que gostam mais de ver os artistas, tem os que preferem as fofocas dos bastidores,  os que se encantam com as celebridades, os que tiram uma carona no tapete vermelho dos famosos.
De qualquer jeito, uma festa é uma festa e mesmo quem não gosta muito de filmes sempre tem algo interessante para ver na noite do Oscar.
Fiquei pensando em outros anos e outros filmes.
Já pensei em fazer um blog sobre filmes, mas o tempo anda curto...
Poderia aproveitar o trocadilho e fazer um blog "curta-metragem"...rs
São muitos filmes queridos e vistos ao longo dos anos. Nem sempre a gente concorda como filme vencedor. Em 2012 quem levou foi O Artista mas amei Hugo, que inclusive passou ontem num dos canais do telecine, considero o filme Hugo um dos melhores filmes que já assisti até hoje, mas claro, numa festa americana, leva a melhor as histórias tipicamente americanas.
Entre os vencedores de anos anteriores meus preferidos são:
Os infiltrados (The Departed, 2007),
Crash, no limite (Crash, 2006),
O Discurso do Rei (The King's Speach, 2011 - este impressionante pois a história é inglesa, mas o filme é uma surpreendente história de superação e quem melhor que os americanos para eleger uma história de superação?);
O Silencio dos Inocentes (The silence of the lambs, 1992);
Amadeus (Amadeus, 1985)
Forrest Gump (Forrest Gump, 1995);
Coração Valente (Braveheart, 1996);
E mais alguns, aliás, muitos outros...
Tem aqueles que achei que, embora sejam excelentes  filmes, mas particularmente eu não daria o prêmio, na  minha modesta opinião: Menina de Ouro (million Dollar Baby, 2005), Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2010), O paciente Ingles (The english patient, 1987) e mais uma meia dúzia... mas ainda bem que eu não tenho direito a voto!
Este ano acho que quem leva o Oscar de melhor filme é Lincoln.
Vamos ver. Apostas feitas. Pipocas preparadas.
Vamos ao tapete vermelho!






domingo, 17 de fevereiro de 2013

MARCELO GLEISER E SAUDADE DE MÃE


Foto: Marcelo Gleiser no Programa do Jô. Retirada do site www.globo.com



Hoje, remexendo meus livros, encontrei uma marcação a lápis, pois tenho a mania de, quando gosto de um trecho de um livro ou quero voltar a ele, deixo marcado. 
É um  livro do Marcelo Gleiser,  astrônomo  e físico brasileiro conhecido do grande público por apresentar o quadro Poeira das Estrelas, no Fantástico e alguns documentários no canal Discovery. Gosto muito do que ele escreve, pois não envolve somente física ou  astronomia, acho que a forma como ele escreve beira  a filosofia. Eu particularmente detesto física e (talvez por isso) o considere um profissional  brilhante, que  me faz ver a física e ler sobre  o assunto de outra forma. Meu marido às vezes banca o marido ciumento e reclama quando leio Marcelo Gleiser antes de dormir: “este cara está  vindo muito na nossa cama, não estou gostando nada disso...” , mas é só brincadeira! A verdade é que apesar de alguns temas complexos, a leitura fica acessível. É   livro de física para quem não  estuda física, porque muitos  livros desta  área  são feitos somente para quem é do ramo. 





Pois bem, vamos ao meu livro e ao trecho que marquei : trata-se do livro Criação  Imperfeita, da Editora Record, e que me foi dado de presente pela minha amiga Fátima Lyra, que tenho certeza que está do ladinho de Deus, em bom lugar, ajudando a revisar os textos divinos em todos os idiomas.   Fátima trabalhou nesta editora por muitos e muitos anos e este foi um dos livros que ela me deu ao longo do tempo que tive o prazer e o presente da convivência  com uma pessoa tão querida por todos aqui em casa. O trecho do livro fala da ausência da mãe do autor e eu acho  um trecho muito tocante. Consta na página 30, da 2ª Edição. 

Diz assim:


“ Sei que  pareço ter sido um pré-adolescente um tanto desequilibrado, mas minha morbidez  não vinha do nada. Quando tinhas seis anos, minha mãe morreu em circunstâncias trágicas. Agora que tenho filhos, vejo no meu dia a dia a devastação emocional que uma perda dessas causa. De repente, passei a ser a criança que não tinha mãe, a que meus amigos olhavam de forma estranha, como se fosse uma ovelha desgarrada. Quantas vezes ouvi mães e babás dizerem às suas crianças, “Coitadinho do Marcelo, ele não tem uma mamãe feito você. Vai lá, brinca com ele, brinca.” Não é apenas a humilhação de de ser diferente, ou a dor de não ter mais o amparo emocional, a doçura, os carinhos da mulher que o pôs no mundo. O mais doloroso de não ter uma mãe é não ter uma mãe: é não ter o seu colo e os seus abraços quando você tem medo; é não ter alguém para celebrar com você as  notas boas ou a vitória num jogo; é não ter mais aquela pessoa que você sabe que o amará sempre, incondicionalmente. Todos os dias via meus amigos saindo da escola de mãos dadas com suas mães, sorrindo, contentes da vida, e me sentia amaldiçoado. A maior tragédia de não ter mãe é saber que ela não o verá crescer, que não será mais parte da sua vida; é saber que haverá um lugar vazio na sua formatura, no seu casamento, no nascimento do seu primeiro filho. É a ausência que dói. A maior tragédia de não ter mãe é que é para sempre.”

E eu concordo plenamente com esta saudade de mãe. Realmente,  é dor  para sempre. Minha mãe participou das minhas formaturas, do nascimento dos netos, mas ainda assim, muita vida ainda estamos vivendo depois que ela se foi e gostaríamos que ela estivesse conosco, seja para o colo nos momentos dificeis ou para a comemoração das vitórias que conseguimos.  A lembrança, não traz de volta, mas por vezes conforta. Fiquemos então com a lembrança,  doce,  risonha e viva. A minha era  risonha  e alegre demais e amava muito viver. Então vamos viver a vida, como gostaria minha mãe!
Boa semana a todos!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

DEPOIS DO CARNAVAL? QUE NADA!


Olá, 
Depois de algum tempo sem postar, retomei o blog com poucas palavras... afinal, é (quase) carnaval!
Beijos e boa leitura!
Eliete  Nascimento


Dizem por aí, ou melhor, dizem por aqui, pela Cidade Maravilhosa que o ano só começa depois do carnaval. Discordo. O ano já começou! Na creche onde estou diretora 2013 está em vigor desde o dia 07 de janeiro. E com muito trabalho pela frente, pelas costas, pelos lados, por todos lugares, por todos os poros...
Trabalhei na mesma escola por quase 20 anos e em 2012 tomei uma decisão: mudar. E algumas mudanças geram desconforto. A desacomodação demanda  energia, novas aprendizagens, gerenciamento de seus próprios conflitos. 
Mas 2012 passou e no final do ano a sensação de dever cumprido trouxe o alívio necessário para continuar uma jornada que está só começando...
Este ano de 2013 chegou com boas notícias, mas também com   outros desafios. E para enfrentar estes novos e alguns velhos desafios, com que ajuda podemos contar? Com a experiência de 2012,  com as  lições de cada dia, com a ajuda dos companheiros de curtas ou longas jornadas, com o aprendizado acumulado ao longo dos anos e principalmente ao longo de 2012, que valeu muito a pena!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A GENTE NÃO SE ACOSTUMA


Relendo o texto de Marina Colasanti, que é uma autora que gosto muito,  me deparei com um questionamento: a gente se acostuma mesmo? Ou a gente se acovarda, se atrofia, se protege para sobreviver? Será que tem coisas que a gente tem mesmo que se acostumar com elas?
A gente não pode se acostumar com as coisas ruins! A gente não deve se acostumar com aquilo que nos faz mal.
A foto do gato ao lado retirei da internet, não é do meu gato Domenico nem da minha gata Linda! Tenho dois gatos em casa e os dois estão acostumados aos bons tratos. Isso todo mundo deveria se acostumar!

O texto abaixo foi retirado do site http://www.releituras.com.br
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


"Eu sei, mas não devia

(Marina Colasanti)
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."





NÃO ADIANTA BOTAR GELO


No mês de outubro fazemos uma constatação incrível: o ano está tão no final que podemos dizer que "já era"! O comércio já se prepara para o Natal e as operadoras de viagem anunciam os "últmos pacotes para o Reveillón".
E a minha contatação pessoal: quase não escrevi nada neste blog.
A coletânea de 2012 é a mais pobre de todas. É que 2012 foi um ano de trilhar outros caminhos, outros rumos, outras conquistas. Ano de alegrias e também um ano de tristeza.
Muita tristeza.
Algumas tristezas não são no corpo, são na alma, como a perda de entes queridos, a dor que a violência contra alguém que você gosta causa em você, na sua alma, nos seus sentimentos.
A angustia da impunidade, da constatação de que vivemos numa sociedade onde ainda existem pessoas capazes de cometer crueldades e barbaridades, daquelas que nos ferem só de pensar.
Até o final do ano escreverei mais um pouco.
Escrever como de colocar para fora o que angustia por dentro. Escrever como forma de terapia.  Para não sufocar, para não pifar,  para não enfartar, porque mesmo com as situações dificeis da vida, ela continua.
E para as dores da alma não adianta botar gelo.