domingo, 9 de dezembro de 2007

TEMPO É MAIS DO QUE DINHEIRO!




Olá,
Hoje trago um texto sobre qualidade de vida e tempo dedicado ao trabalho. É sempre bom lembrar que dinheiro não é tudo. Postarei brevemente outros textos sobre o assunto com a perspectiva de trabalho na sociedade pós industrial a partir do olhar do escritor Domenico De Masi. Este texto foi retirado do site http://www.secth.com.br e é de autoria de Cláudia Matarazzo.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.


TEMPO É MAIS DO QUE DINHEIRO! É QUALIDADE DE VIDA!

"A vida é para ser vivida e não se pode viver correndo atrás o tempo. Mas, tempo é crucial, principalmente para quem trabalha e vive em cidades grandes, como São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras.
O uso racional das 24 horas do dia é fundamental para que o trabalho torne-se mais fácil e produtivo. E também para aproveitar melhor os momentos em nossa casa. Com menos tempo "perdido" no trabalho ou nas tarefas "chatas" do dia-a-dia, com certeza, sobrará mais tempo para o lazer, a leitura e os seus outros prazeres...
No trabalho faça uma lista dos seus compromissos por ordem de dificuldade. Faça primeiro as "coisas" que dão mais trabalho ou chateação, deixando para quando você estiver mais cansado as tarefas que lhe dão mais prazer. O seu dia ficará mais tranqüilo...
Dividir as tarefas da sua casa com seu companheiro (a) fará com que sobre mais tempo para vocês ficarem juntinhos sem fazer nada ou não...
Se você mora sozinho e não é dos mais organizados, procure deixar as coisas arrumadas. Senão você vai perder um tempão tentando achar a conta do cartão ou colocando a cada minuto uma roupa na máquina de lavar.
Com o crescimento do uso da Internet aumentou em muito o tempo utilizado nas respostas de e-mails. Por isso, racionalize a leitura e a resposta dos e-mails. Cheque o assunto antes de abrir o e-mail e deixe os pessoais para a hora do almoço ou para o final do dia.
Faça os consertos em sua residência assim que aparecem os primeiros sinais - senão você perderá mais tempo e dinheiro depois. Se você não tem jeito para arrumar a torneira ou chuveiros, não espere "aparecer" a vontade. Chame logo um profissional...
Aprenda a dizer não a mais compromissos quando souber que não vai ter tempo para resolvê-los dentro do prazo. Isso vale para as suas tarefas profissionais e mesmo para aqueles "pedidos" da família.
No escritório não perca tempo com assuntos extra trabalho (fofocas e etc) vá direto aos assuntos principais e resolva-os na hora. E também marque um horário para dar a resposta a tudo que mereça um estudo mais profundo ou posterior..
Filas de banco são sempre chatas. Procure diminuir suas idas aos bancos, passe para cobrança automática. Faça o que for possível para fugir deste tempo perdido.
No trabalho procure marcar as reuniões e compromissos com um intervalo de tempo razoável para resolver imprevistos, despachar cartas e dar retorno para os telefonemas.
Veja quanto tempo você perde dentro de seu carro no trânsito e descubra alternativas. Seja sair quinze minutos mais cedo e aproveitar para tomar um café sossegado, ou fazer aquele curso de inglês fugindo da hora de rush.
Quem faz o nosso dia e horário somos nós. Correr atrás do tempo, estar sempre atrasado, é perda de tempo. Aliás é perda de qualidade de vida."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

GESTÃO DO TEMPO



Olá,
Hoje trago um texto sobre produtividade, retirado do site http://www.secth.com.br/shwArtigo. Achei a abordagem muito interessante.
Condensado do livro "Manual do Chefe em Apuros"(esgotado), de Ernesto Artur Berg, Editora Makron Books, São Paulo.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



Gestão do tempo: Doze coisas que você precisa saber para ser produtivo.

1. Estabeleça os objetivos com clareza.
Tenha estabelecido bem claro para você o que pretende atingir de mais importante em dois ou três meses ou nas próximas semanas. Anote essas metas com destaque numa folha de papel e deixe-as sempre bem à vista. Isso fará com que não esqueça de suas metas. Lembre-se: barco sem rumo não chega a porto algum.

2. Faça uma lista diária e priorize as atividades.
Isto é tão básico quanto o Manual de Primeiros Socorros. Relacione diariamente, numa folha de papel ou em sua agenda (pode ser notebook, também), todas as atividades a serem cumpridas nesse dia e estabeleça prioridades começando sempre pelas mais importantes. Assim poderá monitorar o andamento dos trabalhos, em vez de perder tempo com picuinhas que engolem o seu tempo, deixando-o dopado, mas sem nada renderem de efetivo.Uma folha de planejamento diário será de muita utilidade para sua definição de prioridades, tanto de atividades a serem executadas quanto de telefonemas a serem feitos.

3. Delegue.
Passe a bola aos seus subordinados, começando pelas rotinas e procedimentos operacionais.Depois, se puder, delegue também atividades e trabalhos de maior responsabilidade, desde que a pessoa esteja apta para assumir a tarefa. Caso contrário, treine-a. Delegando você estará livre para vôos mais altos e fazer coisas mais nobres. Esse assunto (delegação) será abordado numa newsletter futura

4. Saiba tomar decisões.
Não existe carteirinha de chefe que o salve de tomar, algumas vezes, decisões erradas. Uma decisão errada é, quase sempre, melhor do que não tomar nenhuma decisão. Mas abusar do erro é pior do que não tomar nenhuma decisão. Tente identificar as causas do problema mediante as clássicas perguntas:O Quê?, Quando?, Por Quê?, Onde?,Quem?, Quanto?. Isolado o problema e descobertas as causas, tome a decisão.
Se estiver em dúvida quanto à melhor decisão , pergunte às pessoas que já enfrentaram o problema como o resolveram. Pesquise também em livros, ou reúna seus subordinados e peça-lhes sugestões.Uma boa idéia é também procurar um especialista no assunto.

5. Saiba dizer NÃO.
Não recusar nenhum serviço, por menos volumoso que seja, quando você já está atolado de trabalho até a ponta do nariz, não lhe trará nenhum reconhecimento de outros. Acabará apenas ganhando a taça do "Engole Sapo". Trabalhar muito é uma coisa,mas ser soterrado pelo trabalho é outra bem diferente. Se alguém (como seu chefe, por exemplo) quiser lhe empurrar um serviço e você estiver atolado, diga claramente que não tem condições de assumir mais um trabalho,sob o risco de comprometer seriamente o prazo e a qualidade do que você já está fazendo. Sugira outra pessoa e,se mesmo assim seu chefe insistir, faça com que ele assuma a responsabilidade pelos atrasos que advierem nas atividades que você já estava desempenhando.

6. Seja breve ao telefone.
Ligações telefônicas constantes atrapalham e atrasam o trabalho. Depois das rápidas gentilezas iniciais vá direto ao assunto, seja breve e objetivo, sem entretanto perder a simpatia. Concluído o diálogo, agradeça e encerre o contato. A menos que você seja relações públicas, vendedor ou algo semelhante, não há motivo para esticar um telefonema. Imunize-se também contra interrupções telefônicas quando estiver concentrado num trabalho importante ou em reunião. Peça à secretária – ou a alguém – para anotar o número e ligue mais tarde.

7. Faça reuniões produtivas.
Nada mais fácil do que dinamitar uma reunião. É só introduzir assuntos não agendados, discutir o sexo dos anjos, abordar assuntos irrelevantes e deixar que dois ou três galos de briga monopolizem a reunião e fiquem discutindo entre si. Reuniões eficazes exigem um coordenador (para disciplinar a discussão e também marcar o tempo), assuntos previamente agendados do conhecimento de todos, participação e envolvimento dos participantes e, ao final,cópia para todos das decisões tomadas na reunião, com os compromissos assumidos por cada um (quem são os responsáveis pelas tarefas ou projetos) e as datas de realização.
Entre no site www.quebrandobarreiras.com.br e faça o download gratuito do livro "Como Se Tornar Um Líder", de Cristian H. Godfroy. Você encontrará ali um teste de liderança e muitas "dicas" sobre o assunto.

8. Evite o perfeccionismo.
"O perfeito é inimigo do ótimo", diz o ditado. A perfeição é desejável, mas raramente necessaria. Isso parece estar acima do nível de compreensão do perfeccionista, o qual acha que tudo – de um simples bocejo à mais avançada astronave – deve ser impecável. Nada pode ter andamento sem antes passar pelo seu neurótico controle de qualidade – relatórios, projetos, digitação, cartão-ponto, limpeza, etc -, e assim decisões importantes e essenciais deixam de ser tomadas, porque o "deus-da-perfeição",excessivamente comprometido com a importância das picuinhas desnecessárias, não consegue ver as oportunidades passando ao lado. Se o ótimo já está ótimo, deixe o rio continuar fluindo, e não o impeça. Quase sempre o perfeito custa tempo, dinheiro e esforço que não compensam o trabalho. O perfeito só deve ser buscado quando for realmente imprescindível.

9. Saiba como usar sua energia trabalhando a seu favor.
Todos temos um "relógio biológico" que regula nosso fluxo de energia no decorrer das 24 horas do dia. Pesquisas científicas comprovaram que nossa capacidade de raciocínio, criati-vidade e tônus muscular atingem seu auge entre oito e onze horas da manhã. Esse ritmo diminui quase pela metade no período da tarde e à noite não chega a 20%. Nada melhor então do que remar a favor da maré. Pela manhã, sempre que possível, execute atividades nobres, que exijam clareza de raciocínio, dedique-se a um projeto importante, faça reuniões produtivas (e rápidas), estabeleça contatos essenciais etc.À tarde, de preferência, dedique-se mais a rotinas e trabalhos corriqueiros. Agora, se você gosta de testar seus limites de atleta olímpico, então na hora do almoço faça sempre refeições substanciais, com muita comida gordurosa e regada a muito vinho ou cerveja e, em seguida, vá a uma reunião importante ou desenvolva um trabalho que exija concentração e veja os resultados. Entretanto, se você não for "aquele" atleta, nem quiser testar seus limites, então almoce com frugalidade e evite bebidas alcoólicas.Você continuará produtivo no período da tarde e com disposição até para algum trabalho à noite, se precisar. Reserve, de preferência, o fim de semana para colocar em dia suas necessidades gastronômicas e etílicas, se sentir essa necessidade.

10. Organize-se.
Os sintomas da desorganização são: deixar tarefas inacabadas, fazer várias coisas ao mesmo tempo, incapacidade de concentração, adiamentos constantes, não programar suas ativida-des. Existem tarefas que exigem dias, semanas ou meses de trabalho, e muitas vezes não temos condições de alocar períodos de tempo sem que haja várias interrupções. Use então a "técnica da mortadela". Quem se propuser a comer uma mortadela de dois quilos de uma só vez é sério candidato a uma inesquecível indigestão. Mas, se ela for fatiada e consumida aos poucos, depois de alguns dias, não existirá mais nenhum pedaço dela.
O mesmo se dá com tarefas trabalhosas e difíceis. Divida-as em porções menores e depois complete-as passo a passo. Neste caso é essencial estabelecer prazos e dividir o trabalho em etapas, completando um segmento de cada vez. Assim, você se sentirá gratificado ao perce-ber que já completou uma parte do projeto e estará motivado para iniciar a próxima etapa.

11.Saiba o que fazer com os papéis (vale também para e-mails).
Se você coleciona papéis em cima da mesa ou entope as gavetas com eles e sente-se incomodado com isso, então utilize estas alternativas:
a. Jogar Fora. Pergunte-se:"Qual a pior coisa que poderia acontecer se eu jogasse esse papel no lixo (ou deletasse)?" Se a resposta for "nada", então jogue no lixo (ou delete) sem o menor constrangimento.Exemplos de papéis descartáveis: intermináveis folhetos de propaganda, folders de seminários e conferências a que não irá assistir, notícias obsoletas, informações que não são de seu interesse.

b. Transferir. Transfira os papéis (ou e-mails) que não são de sua alçada ou do seu interesse ao chefe, colega ou subordinado etc. e que poderão ser de utilidade a eles.

c. Agir. Se tiver que tomar alguma atitude em relação a algum papel (ou e-mail),tome logo,contanto que não interfira nas suas prioridades, a menos que seja algo mais importante do que essas prioridades. Se você mesmo não puder executar as tarefas, então delegue-as a alguém.

d. Arquivar. Se o papel (ou e-mail) tiver alguma utilidade futura, arquive-o. Assim poderá recuperar o documento futuramente quando necessitar dele. Não esqueça de entrar no site www.quebrandobarreiras.com.br e de fazer o download gratuito do livro "Como Se Tornar Um Líder".

12. Pratique a relação 80/20.
Já no final do século XIX, o economista italiano Vilfredo Pareto afirmava: 80% das riquezas do mundo são produzidas por 20% das nações; 20% das riquezas restantes são produzidas por 80% das nações. Essa relação vale também para a administração: 80% que de importante você produz num dia vem de 20% de suas atividades; enquanto que 20% da produção de um dia vem de 80% de outros trabalhos.
Descubra quais os 20% do seu trabalho diário (isto é, o que é realmente essencial em seu trabalho) que lhe dão 80% de produtividade. Descubra também quais as picuinhas, rotinas e atividades que tomam 80% do seu tempo e que lhe trazem apenas 20% de produtividade. Descarte-as quanto antes, pois elas o estão fazendo cair na armadilha da improdutividade, camuflada sob a forma de muito trabalho. É bom lembrar que os "super" bem-sucedidos raramente trabalham tanto quanto os meramente bem-sucedidos: é que eles trabalham de um jeito mais inteligente.
Falta de tempo é o eterno álibi dos incompetentes. A alta produtividade é o resultado dos que aprenderam a esgrimir com o fantasma do tempo.

25 ATITUDES POSITIVAS PARA O TRABALHO


Olá,hoje trago um texto retirado do site da revista "Bons fluidos", da Editora Abril.
Muito bom para tentar fazer do trabalho um meio de vida e não um fim de vida.
Beijos e boa leitura
!

Tornar o cotidiano profissional mais leve e prazeroso às vezes só depende de pequenas mudanças no modo de pensar, agir e reagir. Aqui, trabalhadores como você e especialistas em convivência e cooperação ensinam os passos para melhorar as relações, facilitar a comunicação e tornar as atividades gratificantes. São conceitos atuais, mas que também encontram eco nos milenares ensinamentos de sábios chineses e filósofos gregos. Confira os bons conselhos de ontem, hoje e sempre.
Texto: Wilson F. D. Weigl | Ilustração: Adriana Cornavaca Wolff
1 Baseie sua liderança em valores éticos

"Os verdadeiros líderes se perguntam sempre qual é seu papel no mundo e se são mobilizados para a verdade, a bondade e a beleza. Eles se preocupam com questões dessa natureza porque sabem que contribuem para a evolução. Caso contrário, não são líderes"
Jair Moggi e Daniel Burkhard, consultores empresariais, no livro Como Integrar Liderança e Espiritualidade (Negócio Editora/ed. Campus)

2 Abra sua cabeça para as novas idéias

"O único meio de fortalecer o intelecto é não ter uma opinião rígida sobre nada ­ deixar a mente ser uma estrada aberta a todos os pensamentos"
John Keats, poeta britânico (1795-1821)

3 Seja organizado e disciplinado

"Quem a cada manhã planeja as atividades do dia e segue esse plano usa um fio que vai guiá-lo através de um labirinto de uma vida bastante atarefada. A organização disciplinada do tempo é como um raio de luz que se projeta em todos os seus compromissos. Mas onde não há um plano, onde a disposição do tempo fica simplesmente entregue ao acaso dos acontecimentos, logo reinará o caos"
Victor Hugo, escritor francês (1802-1885)

4 Mentalize sempre o melhor

"Sempre que estou envolvido em algum desafio profissional, mentalizo coisas positivas e peço proteção a meus guardiães espirituais. Quando vou ter que enfrentar uma situação de confronto, imagino meu interlocutor calmo e a conversação transcorrendo em clima amigável. Depois, quando alcanço o objetivo, agradeço e acendo uma vela"
José Luís Baraúna, 39 anos, gerente de vendas, de São Paulo

5 Equilibre trabalho e vida pessoal

"É um erro contar com o trabalho como única fonte de satisfação. Do mesmo modo que os humanos precisam de uma dieta variada para manter a saúde, também precisamos de atividades variadas que nos dêem a sensação de prazer e a satisfação. Alguns especialistas sugerem que um bom começo é fazer uma lista de coisas que você gosta de fazer, de seus talentos e interesses e até de coisas novas as quais gostaria de experimentar. Pode ser jardinagem, culinária, esporte, aprender uma nova língua ou se dedicar a um trabalho voluntário. Dessa forma, se passarmos por um período de baixa no trabalho, poderemos recorrer à família, aos amigos, aos passatempos e a outros interesses como fonte principal de satisfação. Quando a fase passa, podemos retornar ao trabalho com interesse e entusiasmo renovados"
Dalai-lama, no livro A Arte da Felicidade no Trabalho, com Howard C. Cutler (ed. Martins Fontes)

6 Mude sua rotina

"Quando nos sentimos desgastados pelas tarefas rotineiras, é hora de descobrir como incorporar algum tipo de inovação em nosso trabalho. As pesquisas internacionais mostram que hoje consegue se sobressair no ambiente de trabalho não aquele que chega trazendo novidades de fora, mas sim quem se mostra capaz de executar as mesmas funções de modo diferente. Todos os trabalhos incluem algumas atividades maçantes, como acontece com a própria vida. Pesquise, estude, olhe a seu redor e procure novas e mais estimulantes formas de executar suas velhas tarefas"
Marianita Xavier Crenitte, psicóloga e diretora da Novo Ser Consultores Associados, de São Paulo

7 Eleja prioridades

"Ao lado da nobre arte de conseguir fazer coisas, existe a nobre arte de deixar as coisas por fazer. A sabedoria da vida consiste em eliminar o que não é essencial"
Lin Yutang, filólogo e escritor chinês (1895-1976)

8 Ouça realmente o que dizem a você

"Podemos até nos considerar bons ouvintes, mas o que fazemos na maior parte das vezes é ouvir seletivamente, fazendo julgamentos sobre o que está sendo dito e pensando em maneiras de terminar a conversa ou direcioná-la de modo mais prazeroso para nós. O ouvir ativo requer um esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna, enquanto ouvimos outro ser humano. Isso exige sacrifício, uma doação de nós mesmos para de fato entrar no mundo da outra pessoa. O ouvinte ativo tenta ver as coisas como quem fala as vê e sentir as coisas como quem fala as sente"
James C. Hunter, consultor de relações de trabalho americano, no livro O Monge e o Executivo (ed. Sextante)

9 Focalize-se no presente

"Concentre sua energia no momento sem se envolver demais com fatos do passado e expectativas sobre o futuro. Nossa mente funciona como um computador, guarda informações que precisam ser deletadas para a entrada de novos dados. Use todos seus talentos e suas competências para traçar o caminho profissional do jeito que você quer que ele seja"
Francisco Cirilo, consultor empresarial da Dignity Holistic Institute, de Campinas, São Paulo

10 Seu trabalho é para você mesmo

"Quando temos a ilusão de estar doando nossa energia em proveito do chefe ou do empregador, corremos o risco de encarar as obrigações e responsabilidades como fardos. Mas se reformularmos nosso pensamento e tomarmos consciência de que nosso ofício nos traz remuneração ­ que nos proporciona fazer e comprar o que gostamos ­, que estamos sempre crescendo e aprendendo algo, descobriremos que somos nós mesmos os destinatários finais de todos nossos esforços"
Beatriz Cardella, psicóloga, de São Paulo

11 Abra um sorriso ­ e o coração

"Sorria, seja prestativo e bem-humorado. Se conseguimos nos tornar um ouvinte que melhora a auto-estima dos outros, as pessoas vão naturalmente nos procurar e depositarão confiança em nós"
Gerald Michaelson e Steven Michaelson, consultores americanos, no livro Sun Tzu para o Sucesso (ed. Cultrix), adaptação do livro chinês A Arte da Guerra para o mundo dos negócios

12 Perceba a grandeza de seu ofício

"Anseio por executar uma tarefa grande e nobre, mas é meu dever principal executar tarefas humildes como se fossem grandes e nobres. O mundo é movido não só pelos vigorosos empurrões dos seus heróis mas também pelo conjunto dos pequenos empurrões de cada trabalhador honesto"
Helen Keller, escritora e ativista americana (1880-1968)

13 Saia da roda da negatividade

"Sempre que estiver sob intensa pressão ou dominado por sentimentos negativos, simplesmente pare. Saia da sala, tome um chá, respire, se possível dê uma caminhada e desvie a mente do foco do problema. Procure quebrar a seqüência do raciocínio pesado, sinta-se juntando forças para mais tarde enfrentar o problema. Às vezes, simplesmente levantar da cadeira e mudar de ares já ajuda a recuperar a leveza e encontrar um novo vigor para tomar decisões"
Mário Enzo, administrador e consultor de empresas,de São Paulo, autor do livro Empreendedor Zen ­ As Chaves da Prosperidade sem Estresse (ed. 21)

14 Pratique a competição saudável

"A competição é salutar quando serve de parâmetro para clarear nossos objetivos e servir de alavanca para o crescimento pessoal. Quando observamos o sucesso de um colega ou uma empresa concorrente, podemos retirar desse exemplo preciosas lições a ser aproveitadas no aperfeiçoamento profissional. Com base nessa análise, podemos descobrir o que falta em nós para alcançar resultados tão positivos"
Marianita Xavier Crenitte, psicóloga e diretora da Novo Ser Consultores Associados, de São Paulo

15 Saiba delegar

"Ninguém, com certeza, é capaz de assumir a liderança em todos os campos, pois para um homem os deuses concederam as proezas da guerra, a outro, da dança, para outro, a da música e do canto e, em um outro, o todo-poderoso Zeus colocou uma boa cabeça"
Homero, poeta grego que viveu no século 9 a.C. e escreveu a Ilíada

16 Aceite as mudanças

"Aprendi com o budismo o significado da impermanência, de que tudo no Universo está constantemente se transformando. Tinha dificuldade em aceitar as mudanças, de emprego, de cargo, de colegas e colaboradores que entravam e saíam. No pensamento oriental, entendi que o Universo é sábio ao transformar nossos caminhos. E mesmo se for para algo mais difícil ou complicado, é porque essa experiência nos traz uma lição ou um aprendizado necessários. Nada nem ninguém nos pertence e temos sempre que deixar algo para trás e começar de novo"
Régis Aurélio Castro, 33 anos, representante comercial, de São Paulo

17 Expresse emoções sinceras

"Compartilhar com os outros nossas opiniões e nossos sentimentos sinceros gera uma relação de proximidade com as pessoas. Assim, criamos um ambiente de intimidade e camaradagem. Conquistamos algo ainda mais importante: fazemos com que os outros se interessem pelo nosso desenvolvimento pessoal"
Gerald Michaelson e Streven Michaelson, consultores americanos, no livro Sun Tzu para o Sucesso (ed. Cultrix), adaptação do livro chinês A Arte da Guerra para o mundo dos negócios

18 Seja exigente na medida certa

"Não busque todas as qualidades em uma só pessoa"
Confúcio, sábio chinês (551-479 a.C.)

19 Descubra sua vocação e estabeleça sua meta

"Conhecer quais são nossas metas mais íntimas é parte fundamental para se sentir realizado profissionalmente. Sua vocação pode estar bem no fundo de seu coração, como uma vontade, às vezes escondida até de sua parte consciente. É preciso conhecer nosso 'arzoo', palavra indiana que designa o desejo e a vontade do coração. Uma vez que conseguimos definir e estabelecer uma meta arzoo, nos equipamos com uma mola propulsora de motivação constante, de inesgotável força, que dificilmente será abalada"
Mário Enzio, administrador e consultor de empresas, de São Paulo, autor do livro Empreendedor Zen ­ As Chaves da Prosperidade sem Estresse (ed. 21)

20 Coloque-se no lugar dos outros

"Grande Espírito, ajuda-me a jamais julgar o outro até que eu tenha andado em seus mocassins"
Prece dos índios sioux americanos

21 Compreenda para ser compreendido

"Quando ouvimos mais com a intenção de compreender os outros do que com a de retrucar, começamos a construir a verdadeira comunicação. As oportunidades para falar abertamente e ser mais bem compreendido surgem de modo mais fácil e espontâneo. Procurar compreender exige consideração, procurar ser entendido requer coragem"
Stephen R. Covey, consultor de programas de liderança em mais de 100 empresas da lista das 500 maiores do mundo, em seu livro Princípios Essenciais das Pessoas Altamente Eficazes (ed. Sextante)

22 Não tome os conflitos pelo lado pessoal

"Se você está numa situação em que há colegas hostis ou supervisores ríspidos, adotar uma perspectiva mais ampla pode ajudar: perceber que o comportamento daquela pessoa pode não ter nada a ver com você, que devem existir outros motivos para aquele comportamento e não levar a coisa para o lado pessoal. Na verdade, os acessos de hostilidade talvez tenham mais a ver com problemas bem diferentes, talvez até com problemas em casa. Às vezes, temos a tendência a esquecer essas verdades elementares"
Dalai-lama no livro A Arte da Felicidade no Trabalho, com Howard C. Cutler (ed. Martins Fontes)

23 Adoce as palavras

"Elogio ruidosamente, reprovo suavemente"
Catarina II, imperatriz da Rússia (1729-1796)

24 E, depois do trabalho, relaxe...

"Os arqueiros curvam seus arcos quando querem atirar e os afrouxam quando o alvo é atingido. Se o arco fosse mantido sempre retesado, quebraria e falharia quando o arqueiro precisasse dele. Assim é como os homens. Se constantemente se dedicarem a um trabalho sério e jamais relaxarem um pouco com um passatempo ou um esporte, perdem o bom senso e enlouquecem"
Heródoto, filósofo grego (484-420 a.C.)

25 Faça pausas para reflexão

"Todos os dias, paro alguns minutos e faço uma espécie de meditação, de pausa interior, tentando observar de fora meus pensamentos. Nesse momento, saio do turbilhão mental ­ o meu próprio e o das outras pessoas ­ e consigo separar o que é realmente importante do que é descartável. Depois disso, as provocações e as picuinhas com colegas, por exemplo, parecem encolher, como se eu estivesse as vendo de longe. E consigo colocar em padrões mais aceitáveis a necessidade de cobrar ­ de mim mesmo e dos outros. Dessa perspectiva, com a mente calma, sinto que sou eu mesma quem dirige meus atos, e não os outros"
Daniella Tavares Amaral, 37 anos, empresária, de São Paulo

domingo, 28 de outubro de 2007

PROFESSORA OU TIA?


Olá,
Hoje trago um texto que retoma uma discussão que de vez em quando vem à tona, principalmente entre os professores de Educação Infantil e Séries Iniciais.
Copiei apenas um trecho, pois o artigo era grande.A autoria é de Luca Rischbieter, da Revista Educação. Quem gostar pode ler o artigo completo através do link ao final do texto.Afinal, professora ou tia é uma discussão antiga...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.




"Bons tempos em que chamávamos professoras de tias"...

"Dizem que uma da maneiras de chamar a atenção dos outros é apresentando pontos de vista polêmicos, e é isso que estou fazendo aqui, ao propor a discussão de uma idéia que pode parecer chocante para muitos(as) pedagogos(as):
1 - Não há nada de muito grave acontecendo se as crianças chamam suas professoras de "tias".
Essa idéia justifica-se pela percepção de um problema muito maior:
2 - Infinitamente mais grave é o fato de crianças e adolescentes não desenvolverem nenhuma espécie de familiaridade com seus professores e professoras.
A gravidade do problema que pretendo discutir é que me leva a pedir que, antes de criticar o artigo e o autor, o argumento seja acompanhado até o fim, em sua lógica.
Depois disso, se for o caso ainda, pode xingar.
Como assim, não há nada de mais em chamar professoras de tias?! Afinal de contas, muitos(as) de nós nos engajamos durante anos em um verdadeiro combate contra o antigo hábito de dizer "tia". E esse movimento tinha, e continua tendo, sua razão de ser: é uma luta contra uma visão excessivamente amadora da profissão de educadora.
Paulo Freire tem um livro com o título Professora Sim, Tia Não em que expõe de forma clara as principais razões para as professoras deixarem de ser "tias": essa visão de uma classe profissional como sendo constituída de parentes das crianças pode perpetuar a visão de que não é preciso uma boa qualificação para fazer o trabalho de ensinar, além de favorecer uma visão política passiva e alienada, já que identificar professoras como tias é quase como proclamar que "professoras", como boas "tias", não devem brigar, não devem rebelar-se, não devem fazer greve.
Essa idéia foi encampada por um grande número de escolas do país e, em muitas delas, criou-se o hábito de chamar as professoras pelo nome. Aliás, uma mudança saudável que, em boas escolas, pode favorecer a criação de relacionamentos pessoais de qualidade entre alunos e professores, talvez até melhores do que quando há o costume de sempre preceder os nomes por um "tia" ou "tio".
Mas também não posso deixar de admitir que conheço pessoalmente muitas ótimas escolas em que ainda existe o hábito de dizer "tia", e que sinceramente não acho que essa seja uma diferença fundamental na determinação nem da qualidade do ensino, nem do engajamento administrativo em processos de qualificação.
Se, em vez de Lúcia ou Maria, as crianças chamam suas professoras de tia Lúcia ou tia Maria, esse detalhe não me parece de forma alguma decisivo para definir as diferenças que podem existir entre duas escolas.
Podemos ter boas escolas em que as crianças chamam as professoras de tias e péssimas escolas em que há o hábito de chamá-las por seus nomes(...)"

Quer ver o artigo completo? Então clique no link e leia. Depois volte aqui para o meu blog e dê a sua opinião.
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=10650

A GENTE SE ACOSTUMA...


Olá,
Hoje trago texto de Marina Colassanti. É um texto bem conhecido e muito lindo. Faz a gente refletir sobre acomodação ou luta por mudança, sobre coisas pelas quais a gente deve se apaixonar e não se acostumar...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



"Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia...
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração...
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios...
E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado.

MALABARISMO


Olá,
Hoje trago um texto de caráter motivador, de autoria de BRYAN DYSON, ex-presidente da Coca-Cola,numa conferência realizada numa universidade americana. Fala sobre a relação entre o trabalho e outros compromissos da vida.
Este texto já chegou às minhas mãos duas vezes: a primeira vez, através dos textos de Luiz Almeida Marins Filho, divulgado pela Anthropos Consulting, que divulgou na íntegra (que está abaixo); a segunda vez através do boletim Semeando Mudanças, distribuído pelo DGRH da SME/PCRJ, com adaptações."
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.


"Imaginem a vida como um jogo, no qual vocês fazem malabarismos com cinco bolas que lançam ao ar. Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. O trabalho é uma bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas as quatro outras são de vidro. Se caírem no chã, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e busquem o equilíbrio na vida. Como?
01-Não diminuam seu próprio valor, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial. Não fixem seus objetivos com base no que os outros acham importante. Só vocês estão em condições de escolher o que é melhor para vocês próprios.
02-Dêem valor e respeitem as coisas mais queridas aos seus corações. Apeguem-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido. Não deixem que a vida escorra entre os dedos por viverem no passado ou no futuro. Se viverem um dia de cada vez, viverão todos os dias de suas vidas.
03- Não desistam quando ainda são capazes de um esforço a mais. Nada termina qté o momento em que se deixa de tentar. Não temam admitir que não são perfeitos.
04-Não temam enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.
05-Não excluam o amor de suas vidas dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dá-lo. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a sai próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.
06- Não corram tanto pela vida a ponto de esquecerem onde estiveram e para onde vão.
07- Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.
08- Não use imprudentemente o tempo ou as palavras. Não se podem recuperar.
09- A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo.
10-Lembre-se: ontem é história, amanhã é mistério e hoje é uma dádiva, por isso se chama presente. Vivam o presente com muita energia!"

"SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS"


Olá,
andando pelas páginas do site http://www.releituras.com.br, encontrei esta pérola na lista de biografia e obra de Rubem Alves.
Lindo texto, lindo filme!
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



"Deixo aqui, como possibilidade não pensada, este poema de Walt Whitman, o poeta da "Sociedade dos Poetas Mortos":

"Em nome de vocês...
Que ao homem comum ensinem
a glória da rotina e das tarefas
de cada dia e de todos os dias;
que exaltem em canções
o quanto a química e o exercício
da vida não são desprezíveis nunca,
e o trabalho braçal de um e de todos
— arar, capinar, cavar,
plantar e enramar a árvore,
as frutinhas, os legumes, as flores:
que em tudo isso possa o homem ver
que está fazendo alguma coisa de verdade,
e também toda mulher
usar a serra e o martelo
ao comprido ou de través,
cultivar vocações para a carpintaria,
a alvenaria, a pintura,
trabalhar de alfaiate, costureira,
ama, hoteleiro, carregador,
inventar coisas, coisas engenhosas,
ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,
e não considerar desgraça alguma
dar uma mão a si próprio."

O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 37.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

GENTE É MAIS OU MENOS COMO UM RIO


Olá,
Hoje trago um texto da Viviane Mozé, aquela filósofa que tinha (ou ainda tem?!) um quadro no Fantástico. Viviane nos dá RECEITA PARA LAVAR PALAVRA SUJA. É interessante notar que a gente sempre conhece alguém que se encaixa em algum dos "rios" descritos pela Viviane. Ela tem publicado TODA PALAVRA e DESATO, estes dois da Ed Record, entre outros.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



"GENTE É MAIS OU MENOS COMO UM RIO

Gente é mais ou menos como um rio:
Tem os que gostam de perigo e se lançam de grandes alturas.
Tem os de muitos braços que atiram pra todos os lados.
Tem os de muitos redemoinhos que comem bois e gente.
E tem os que gostam demais de si e viram lago.
Tem os que só sabem correr parados,
Os empoçados,
Os pantaneiros,
Os alagados.
E tem os que transam com a terra formando ilhas.
O fundo de alguns é de pedra.
Tem os de peixes coloridos.
Outros têm água clarinha.
E tem gente córrego seco.
E tem gente riacho escuro.
Alguns a terra engole vivos.
E tem até rio que corre pra trás.
O rio que eu sou nasceu em janeiro."

FILTRO SOLAR


Olá,
Hoje trago um texto de Mary Schimich, com tradução de Pedro Bial. Este texto é um daqueles que viajam pela internet e sua autoria vai sendo trocada. Já foi atribuído ao Bial, ao Veríssimo, ao americano Kurt Vonnegut, ente outros. Na verdade, o Bial gravou um cd onde declama o Filtro Solar. O texto original foi publicado pela primeira vez em 1998 e aqui no Brasil pela Editora Sextante, em 2004.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.
PS.: Não esqueça do filtro solar!


"FILTRO SOLAR
Se pudesse dar uma só dica sobre o futuro, seria esta: "Use filtro solar".
Os benefícios a longo prazo do uso do filtro estão provados e comprovados pela ciência; já o resto de meus conselhos não têm outra base confiável além da minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês. Aproveite bem, o máximo que puder, o poder da beleza e da juventude. Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder da beleza e da juventude até que se tenham apagado. Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar suas fotos e perceber de um jeito - que não nem desconfia hoje em dia- quantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente, e como você realmente estava com tudo em cima.
Você não está gordo! Ou gorda... Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatro da tarde de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo mesmo. Cante. Não seja leviano com o coração dos outros. Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental. Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, ás vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo. Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se. Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos 22, o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem. Tome bastante cálcio. Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles. Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos 40, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer, não se congratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim para todo mundo!
Desfrute de seu corpo. Use-o de toda da maneira que puder. Mesmo. Não tenha medo de seu corpo ou do que outras pessoas possam achar dele. É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir. Dance. Mesmo que não tenha onde, além do seu próprio quarto.
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.
Dedique-se a conhecer os seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre te apoiar no futuro. Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilo de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem. More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Hawaí, mas se mande antes de amolecer. Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis: os preços vão subir. Os políticos vão saracotear. Você, também, vai envelhecer. E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem, os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos. E não espere que ninguém segure a sua barra. Talvez arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez case com um bom partido. Mas não esqueça que um dos dois pode, de repente, acabar. Não mexa demais nos cabelos, senão, quando chegar aos quarenta, vai aparentar oitenta cinco.
Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que o oferecem. Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo, por mais do que vale.
Mas no filtro solar, acredite!"

FELICIDADE


Olá,
Hoje trago um texto da Martha Medeiros sobre felicidade após os 35 anos. Muitíssimo interessante, principalmente para aqueles que vivem procurando conquistar a tal felicidade. Acho que felicidade é um modo de caminhar, não um lugar encantado, nem uma ilha da fantasia. O texto se chama "35 anos para ser feliz", foi escrito para uma coluna do jornal Zero Hora, em Porto Alegre em outubro de 1998 e publicado no livro "Trem-bala", L&PM Editores - Porto Alegre, 2002, pág.147.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.




"35 ANOS PARA SER FELIZ
Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.
A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse.
Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes.
Sai bem mais em conta."

A ARTE DE NÃO SABER O QUE FAZER


Olá,
Hoje trago um texto sobre a vida. Nem sempre saber o que fazer é a melhor solução. E não saber o que fazer às vezes é mais do que um luxo, é uma questão de sobrevivência.
Este texto foi retirado do livro "A arte de viver bem com as imperfeições - jeitos simples de ficar em paz com nossos pequenos defeitos", de Véronique Vienne, com fotos de Erica Lennard, da Publifolha, 2002. O livro é tudo de bom!
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



"A arte de não saber o que fazer
Como é que ninguém o avisou de que a vida é cheia de mensagens confusas? Que o sucesso, por exemplo, é só outra palavra para “muito mais trabalho”? Que liberdade é apenas o direito de fazer o que é permitido? E que você se orgulha muito mais das realizações de seus amigos do que das suas?
Você teve de descobrir tudo isso sozinho e também como limpar marcas do copos molhados do móvel claro, onde achar a receita pra salmão firo com gelatina e onde pedir o melhor empréstimo.
Ninguém o alertou para tudo o que se precisa saber para viver porque, provavelmente, você não estava pronto para ouvir. De todas as criaturas do planeta, os humanos são as que aprendem mais devagar.A maioria dos animais já nasce com o cérebro plenamente desenvolvido, ao passo que o cérebro dos humanos, ao nascer, tem apenas 20% de seu tamanho adulto. Antes de absorver as informações, precisamos construir redes de trilhas neurológicas.
Por esse motivo, a infância tem papel decisivo em nosso desenvolvimento. Passamos um quinto na vida como crianças, um terço como adultos maduros e o resto do tempo lamentando o fato de não sermos mais jovens.
Um bezerro com dez minutos de vida já sabe tudo o que precisa para sobreviver pelo resto de seus dias, enquanto eu e você, depois de todos esses anos, ainda lutamos com as noções abstratas mais básicas, como, por exemplo, se uma pessoa que viaja para leste perde ou ganha um dia ou qual é a diferença entre um litro e um quilo.
A mais jovem de todas as espécies, somos a que tem aprendizado mais longo e exigente. Por causa do tamanho diminuto do cérebro e do sistema nervoso na infância, nosso processo de aprendizagem é longo e entediante. Para as crianças, ir à escola causa grande ansiedade. Quando adulto, continuamos achando que adquirir novos conhecimentos é um processo desagradável e extenuante.
Mesmo assim, deveríamos ficar felizes com nossa incompetência. Mais do que andar ereto e falar, meter os pés pelas mãos é nosso maior triunfo, a característica que nos dintingue dos outros primatas. Na verdade, é a soma de nossos erros -também chamada de experiência- que nos permite aprender, adaptar, e em última instância, sobreviver nas condições mais difíceis e inesperadas.
Apesar das dificuldades, algumas pessoas se tornam tão competentes que é difícil lembrar que já foram bebês indefesos. Observe-as em ação. Em questão de minutos, sabem localizar, pela internet o melhor dentista da Sibéria, diagnosticar o barulho do carro como um problema da barra de suspensão e pedir uma refeição de três pratos, vinho incluído, de um cardápio todo escrito em francês. Muito impressionante, sem dúvida. Mas a natureza não nos deu o dom da incompetência por brincadeira.
Não fomos criados nus, sem presas, rabos, antenas, garras, lembrados de que não podemos resolver os problemas do mundo, mas estamos extremamente bem equipados para ficar maravilhados com sua existência. Para isso, devemos nos livrar da impressão de que somos indispensáveis. Por exemplo, esqueça que as pessoas apreciam o que você faz por elas. A verdadeira generosidade não precisa de gratidão para se justificar. Ajude os outros em seus próprios termos e deixe que eles lidem com os resultados. Não tente advinhar o que esperam de você.
Transforme as ironias do destino em desculpa para ser quem você quer ser.
Sempre que estiver em um dilema moral, faça o que achar certo, mas não pense que ter princípios faz de você alguém especial, superior ou heróico. Se, por outro lado, você não for tão ético quanto gostaria, não finja surpresa, você é apenas humano,não um santo, nem uma fraude.
Mas a maneira mais rápida de acabar com a ilusão de domínio do conhecimento é parar de fingir na frente dos outros."

ANTES QUE ELAS CRESÇAM


Olá,
Depois de algum tempo de descanso, retomo as postagens do blog. Hoje trago um texto do Affonso Romano de Sant'Anna. Um texto lindo, principalmente se você tem filhos, sobrinhos, netos ou uma criança que você ama.
O texto foi retirado do site http://www.releituras.com.br
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento



"ANTES QUE ELAS CRESÇAM

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam."

sábado, 16 de junho de 2007

A CRIANÇA ESPECIAL E A ESCOLA



Olá,
Hoje trago um texto de Marilda Balerine da Silva, psicóloga,sobre portadores de necessidades educacionais especiais. O texto foi retirado do site http://www.planetaeducacao.com.br,onde podem ser encontrados outros textos bem interessantes.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento


A Criança Especial e a Escola

A criança portadora de necessidades especiais, além do direito, tem a necessidade de cursar uma escola normal. A escola, na nossa cultura, é uma representante da sociedade. Portanto, alguém que freqüenta a escola se sente mais reconhecido socialmente do que aquele que não freqüenta.
Sabemos que existe preconceito quanto ao deficiente, seja qual for o problema ou o grau de deficiência apresentado. É longa a história de sua marginalização em nossa cultura. Felizmente, hoje, tenta-se minimizar os efeitos de tantos anos de exclusão. Alguma evolução se percebe a partir da compreensão do que é a "deficiência". Substituir "deficiente" por "especial" modifica um pouco a situação da criança, pois altera a nossa atitude quando compreendemos que existem necessidades especiais. Pensando assim, a criança portadora de necessidades especiais em uma sala de aula normal tem a chance de se sentir reconhecida. Um reconhecimento que humaniza.
Há quinze anos, quando ainda não se ouvia falar na pedagogia da inclusão, tive a oportunidade de iniciar minha atividade como psicóloga na Escola Carlos Saloni, em São José dos Campos. Nesse período, com total apoio da Direção da escola, sem o qual nada teria sido possível, fui, aos poucos, introduzindo, nas salas de aula, crianças com algum tipo de deficiência. No início, esbarramos no preconceito de alguns pais, mas com o irrestrito apoio dos professores, que se esforçaram em compreender a criança especial e buscaram respostas e métodos para poder dar o melhor de si, conseguimos bons resultados e isso nos encorajou a abrir espaço para outras crianças, com os mais diferentes problemas.

Para citar como exemplo, tínhamos desde uma disfunção neurológica leve, até paralisia cerebral com grave comprometimento motor. Cada uma dessas crianças, na particularidade da sua deficiência, nos ensinou muito. Melhoramos como profissionais e como seres humanos. Por isso afirmo que a diferença só acrescenta. A criança especial na escola modificou toda uma conduta que se projetou nos alunos. A solidariedade entre eles foi o que mais nos chamou a atenção. Ofereciam-se para ajudar, para empurrar a cadeira de rodas, para acompanhar ao banheiro e chegavam a fazer revezamento na hora de auxiliar o colega a copiar as tarefas do quadro negro. Até hoje é assim.

Todo esse trabalho foi desenvolvido aos poucos. Não existe fórmula ou receita para isso. Aprendemos a fazer, fazendo. Costumamos trabalhar com o apoio dos profissionais que acompanham essas crianças, em geral, da área de reabilitação, como a terapia ocupacional, a fonoaudiologia, a fisioterapia e a neurologia. O trabalho conjunto com esses terapeutas foi e é de primordial importância para a compreensão da limitação de cada aluno e para sabermos até onde podemos ir, sempre adequando nossa intervenção pedagógica. A escola, nesse aspecto, é também terapêutica.

Outro ponto delicado é o atendimento aos pais. Toda família com uma criança especial desenvolve uma dinâmica particular. Em geral, eles chegam até nós, para a entrevista, receosos, preocupados e ansiosos, pois temem a discriminação. Quando a família se sente apoiada pela escola, esse sentimento se reflete também sobre a criança, criando um clima favorável ao trabalho. Os pais precisam se sentir tão incluídos quanto seus filhos.

O importante é evidenciar que na escolarização de uma criança com necessidades especiais estão envolvidos, além da própria criança, seus pais, os terapeutas, os médicos e os educadores. Cabe à escola acolher essa criança, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que se beneficie do contexto escolar.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL



Olá,
Hoje trago um texto sobre música que usei em 2006, com as professoras na Escola Municipal Bárbara Ottoni, onde sou Coordenadora Pedagógica. Fizemos uma oficina de música: trouxemos o professor de música Mauro Portugal, nosso convidado, que tocou violão, fez um trabalho sobre sons do corpo e falou sobre a riquesa da nossa cultura musical. Após a oficina prática, este texto serviu de base para nossa reflexão.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.


MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

FALANDO DE MÚSICA
“Freqüentemente a música é considerada mera distração, quando na realidade, ela é a expressão mais íntima de todos nós. As atividades artísticas constituem formas do indivíduo evidenciar suas emoções e exercer seu pensamento. A música acaba se destacando como uma dessas artes, estimulando o impulso vital, a inteligência, a vontade, a imaginação criadora, a sensibilidade e o amor, que são as mais importantes atividades psíquicas de todos os seres humanos, ou seja, a maior particularidade da música é unir, harmoniosamente, o conhecimento, a percepção e a ação.
Para aprender música não é necessário ter um talento especial. Isso pertence a todos. E um dos principais deveres da escola é o de assegurar a igualdade de oportunidade para que todo aluno tenha acesso à música e ser educado musicalmente, não importando o ambiente sociocultural de origem.
A música é um dos maiores estímulos para a ativação dos circuitos do cérebro; o objetivo da música na escola é musicalizar, ou seja, tornar o aluno receptível e sensível ao fenômeno sonoro. Desenvolver a criatividade do aluno utilizando elementos simples do cotidiano, desmistifica a idéia de que trabalhos criativos precisam de grandes elementos para a sua confecção; e isto também se aplica à música!
Apesar de haver grandes dificuldades para se trabalhar o tema “música”, principalmente nas escolas públicas, o maior alvo do professor deveria ser o de fazer com que o aluno construa uma forma de pensamento crítico. Torna-se necessário criar e/ou descobrir meios disponíveis de emergência, para não se deixar levar pelas dificuldades e falta de recursos, levando-nos a uma atitude apática de não fazer nada, além de usar a própria dificuldade como desculpa.”
(Trecho de artigo de Riane da Costa Gomes, professora de educação musical da Rede Municipal de Ensino.)

MÚSICA e EDUCAÇÃO INFANTIL
É necessário que a professora dê à criança a oportunidade de “viver” a música, apreciando, cantando, criando, movimentando o corpo. A música, associada à expressão corporal, pode ajudar o aluno a descobrir o seu próprio ritmo, ordenar a motricidade excessiva e harmonizar movimentos. Todo ser humano possui um ritmo vital, que pode ser descoberto ou educado ritmicamente através de atividades ligadas a musicalização.


A MÚSICA “DA HORA”
A música pode ser utilizada como elemento sensibilizador e marcador cronológico, auxiliando o aluno na construção e organização dos conceitos de tempo e espaço. Por isso, é importante o uso de canções que servem para marcar o início, final ou execução de determinadas tarefas, como hora da história, merenda, higiene etc. Nessas horas, principalmente nos ambientes externos, a música faz com que o aluno se sinta “parte daquele grupo”, auxiliando a professora com a disciplina e formação de hábitos.
A utilização da música como forma de marcar os tempos de transição é uma das práticas comuns nas escolas de educação infantil: “Para marcar a transição entre o tempo de trabalho e o tempo de organização, os educadores usam diversas estratégias com a finalidade de motivar e apoiar as crianças na transição de um momento da rotina para o seguinte: uma sineta, um pandeiro, uma música ” (in, ZABALZA, M. Qualidade em Educação Infantil)
Esta é uma das formas de se utilizar a música na educação infantil, mas restringir a música a estes momentos significa “tolher” o potencial criador dos alunos e tirar-lhes a oportunidade de conhecer a nossa vasta e rica cultura musical.

MÚSICA “ALÉM DA HORA”
É extremamente importante desenvolver atividades de educação musical em formas de jogos e brincadeiras, afinal, estamos falando de Educação Infantil!
A iniciação musical deve ser realizada em forma de brincadeiras, valorizando o lúdico e o prazer.
A utilização de cantigas e brincadeiras folclóricas ao longo do ano enriquece as atividades de iniciação musical. Com um folclore rico como o nosso torna-se um “desperdício” trocá-lo por canções puramente comerciais ou reproduções de músicas do folclore estrangeiro por artistas brasileiros (aqueles bem conhecidos do público infantil mas de qualidade musical duvidosa). Não devemos, com isso, excluir totalmente este tipo de música, pois elas fazem parte do universo musical e ambiente social do aluno, mas como EDUCADORES, temos o dever de oferecer educação de qualidade em todos os aspectos, além de contribuir para a formação de um olhar crítico à cultura massificada.
As sugestões de atividades estarão organizadas em fichas para melhor manuseio e auxiliar no planejamento.
As atividades de iniciação musical possuem como objetivos desenvolver e/ou ampliar:
 Senso rítmico;
 Linguagem oral e articulação;
 Expressão corporal;
 Memória auditiva e visual;
 Experiências com o corpo;
 Enriquecer o repertório musical;
 Atenção, concentração e controle;
 Livre expressão criadora;
 Hábitos e atitudes com relação ao uso de instrumentos musicais;
 Construção da orientação espaço-temporal;
 Coordenação motora;

TRABALHANDO COM INSTRUMENTOS

Antes do trabalho com os instrumentos é necessário ter explorado outras formas de iniciação musical como barulhos do corpo, pesquisa de sons, criação de sons com objetos diversos (papéis, blocos, folhas secas), observação dos barulhos na natureza e do ambiente etc
O uso dos instrumentos musicais deve ser feito gradativamente. Primeiro, é preciso fazer com que a criança os conheça. Em rodinha, apresente um determinado instrumento, deixe que cada criança pegue, aperte, sinta o cheiro, veja se é duro ou mole, se é de metal, de plástico etc. Comece com um instrumento por dia. Deixe que a criança perceba que som faz aquele instrumento, fale o nome.
É extremamente importante conversar com os alunos sobre os cuidados que devemos ter com os instrumentos: guardar cada coisa no seu lugar, e os cuidados de manuseio. A disciplina da professora para reforçar esses cuidados é fundamental e a utilização politicamente correta dos equipamentos é bem-vinda!
Beijos e bom trabalho!

Eliete R do Nascimento
(Coordenadora Pedagógica)

terça-feira, 5 de junho de 2007

COISAS QUE TODA CRIANÇA DEVE FAZER ANTES DE DOBRAR DE TAMANHO


Olá,
Hoje trago um texto adaptado do original retirado do site unilever. Achei muito interessante. São coisas que as crianças devem fazer antes que chegue a idade de achar tudo isso sem graça. Muitos pais deveriam fazer essas coisas com seus filhos. Acrescente outras coisas à lista...
Beijos e boa leitura,
Eliete Nascimento.

COISAS QUE TODA CRIANÇA DEVE FAZER ANTES DE DOBRAR DE TAMANHO
 Descer rolando um gramado
 Fazer uma torta de lama
 Fazer sua própria massinha de modelar
 Juntar ovas de sapo
 Fazer perfume de pétalas de flores
 Cultivar agrião na floreira da janela
 Fazer uma máscara de papel marché
 Construir um castelo de areia
 Subir numa árvore
 Fazer um esconderijo no jardim
 Fazer uma pintura com os pés e as mãos
 Organizar seu próprio piquenique de bichinhos de pelúcia
 Ter seu rosto pintado
 Brincar com um amigo na areia
 Fazer pão
 Fazer anjos na neve
 Criar uma escultura de argila
 Fazer parte de uma caçada cata-lixo
 Acampar no jardim
 Assar um bolo
 Alimentar um animal de fazenda
 Colher alguns morangos
 Jogar varetas
 Reconhecer cinco espécies diferentes de pássaros
 Achar algumas minhocas
 Andar de bicicleta em uma poça de lama
 Fazer e soltar uma pipa
 Plantar uma árvore
 Construir um ninho com grama e gravetos
 Encontrar dez folhas diferentes no parque
 Fazer uma horta
 Servir café na cama para seus pais
 Fazer uma corrida de obstáculos no jardim

quarta-feira, 30 de maio de 2007

COMPETÊNCIAS PARA ENSINAR


Olá,
Hoje trago o assunto competências dos professores. O mundo mudou, a sociedade mudou, as crianças mudaram, a escola mudou... o professor precisa acompanhar essas mudanças! O texto é um recorte de Philippe Perrenoud, “10 novas competências para ensinar”, Ed. Artmed, Porto Alegre, 2000.
Beijos e Boa leitura!
Eliete Nascimento
.

10 NOVAS COMPETÊNCIAS PARA ENSINAR

1. ORGANIZAR E DIRIGIR SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM – conhecer conteúdos e objetivos; trabalhar a partir da representação dos alunos; construir e planejar seqüências didáticas; envolver os alunos em atividades de pesquisa e projetos.
2. ADMINISTRAR A PROGRESSÃO DAS APRENDIZAGENS – ajustar as situações-problemas às possibilidades dos alunos; visão em perspectiva dos objetivos; laços com as teorias subjacentes; saber preceder a uma avaliação formativa; fazer balanços das aprendizagens e tomar decisões rumo à progressão, rumo a ciclos de aprendizagem.
3. CONCEBER E FAZER EVOLUIR DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO – administrar a heterogeneidade da turma; ampliar a gestão; apoiar alunos com dificuldades; oferecer atividades opcionais.
4. ENVOLVER OS ALUNOS EM SUAS APRENDIZAGENS E EM SEU TRABALHO- suscitar o desejo de aprender e contextualizar as aprendizagens; desenvolver no aluno a capacidade de auto-avaliação; oferecer atividades opcionais; favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.
5. TRABALHAR EM EQUIPE- elaborar projetos coletivos e representações comuns; dirigir grupos; condizir reuniões; analisar em conjunto situações complexas; administrar crises ou conflitos interpessoais.
6. PARTICIPAR DA ADMNISTRAÇÃO DA ESCOLA – participar e negociar um projeto da instituição ; administrar os recursos; organizar a participação dos alunos.
7. INFORMAR E ENVOLVER OS RESPONSÁVEIS - dirigir/participar de reuniões com os pais; fazer entrevistas; envolver os pais na consturção dos saberes.
8. UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS – utilizar editores de texto; explorar potencialidades didáticas dos programas; comunicar-se à distância; utilizar ferramentas de multimídia/compet~encias fundadas numa cultura tecnológica.
9. ENFRENTAR OS DEVERES E DILEMAS ÉTICOS – desenvolver uma educação que favoreça a prevenção da violência na escola e fora dela; lutar contra preconceitos e discriminações; participar da criação de regras e sanções; analisar a relação pedagógica e autoridade/responsabilidade, solidaeriedade e justiça.
10. ADMINISTRAR SUA PRÓPRIA FORMAÇÃO CONTÍNUA- saber explicitar as próprias práticas; estabelecer um balanço e um programa pessoal de formação continuada; acolher a formação dos colegas e participar dela; ser agente do sistema de formação contínua.

terça-feira, 29 de maio de 2007

OS DEZ MANDAMENTOS


Olá,
Hoje trago um recorte do texto “A pré-escola em Angra dos Reis: tecendo um projeto de Educação Infantil”. O texto na íntegra, pode ser encontrado no livro A formação da professora alfabetizadora: reflexões sobre a prática. Organização de Regina Leite Garcia. Ed. Cortez. 3ª edição. O livro tem outros artigos bem interessantes.
Beijos e boa leitura!


OS DEZ MANDAMENTOS DA PRÉ-ESCOLA

1) A criança é um sujeito interativo que aprende mediante a interação com o outro (outras crianças e/ou adultos)
2) A criança constrói conhecimentos num movimento que vai do coletivo (social/interação com o outro) para o individual (toda síntese individual “carrega” as experiências construídas coletivamente).
3) Os conteúdos trabalhados precisam ser significativos e fazer sentido para as crianças e professores. Precisam estar interligados com o que acontece dentro e fora da escola.
4) As atividades precisam ser instigantes para as crianças. Precisam ter problemas a resolver e decisões a tomar. Precisam possibilitar que as crianças avancem na construção e apropriação de novos conhecimentos.
5) O erro deve ser encarado como possibilidade do acerto, O “ainda não saber” deve ser transformado em “saber”.
6) A pré-escola pode e deve ser um ambiente alfabetizador onde as crianças, desde muito cedo, possam construir e testar hipóteses sobre a linguagem escrita.
7) A pré-escola deve garantir às crianças a possibilidade de lidar, de usar diferentes linguagens: corporal, musical, plástica, gráfica, escrita, televisiva etc.
8) O professor precisa ser sujeito do seu fazer pedagógico. Precisa ter a coragem de ousar e de criar, pois só assim verá os seus alunos como sujeitos do seu aprendizado.
9) O prazer em ensinar e aprender precisa estar presente no dia-a-dia das nossas pré-escolas.
10) A pré-escola é um espaço de construção de conhecimentos. Não é um espaço de preparação para a escola. A PRÉ-ESCOLA É ESCOLA!

CÓDIGOS DA MODERNIDADE


Olá,
Hoje trago texto sobre competências e capacidades. São os Códigos da Modernidade, do educador colombiano Bernardo Toro. O texto é de 1997. Tradução e adaptação de Antônio Carlos Gomes da Costa.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



CÓDIGOS DA MODERNIDADE
Os Códigos da Modernidade são, segundo o educador colombiano Bernardo Toro, as capacidades e competências mínimas para a participação produtiva no século XXI. São eles:

1. DOMÍNIO DA LEITURA E DA ESCRITA
Para se viver e trabalhar na sociedade altamente urbanizada e tecnificada do século XXI será necessário um domínio cada vez maior da leitura e da escrita. As crianças e adolescentes terão de saber comunicar-se usando palavras, números e imagens. Por isso, os melhores professores, as melhores salas de aula e os melhores recursos técnicos devem ser destinados às primeiras séries do ensino fundamental. Saber ler e escrever já não é um simples problema de alfabetização, é um autêntico problema de sobrevivência. Todas as crianças devem aprender a ler e a escrever com desenvoltura nas primeiras séries do ensino fundamental, para poderem participar ativa e produtivamente da vida social.

2 CAPACIDADE DE FAZER CÁLCULOS E DE RESOLVER PROBLEMAS
Na vida diária e no trabalho é fundamental saber calcular e resolver problemas. Calcular é fazer contas. Resolver problemas é tomar decisões fundamentadas em todos os domínios da existência humana. Na vida social é necessário dar solução positiva aos problemas e às crises. Uma solução é positiva quando produz o bem de todos. Na sala de aula, no pátio, na direção da escola é possível aprender a viver democraticamente e positivamente, solucionando as dificuldades de modo construtivo e respeitando os direitos humanos.

3 CAPACIDADE DE ANALISAR, SINTETIZAR E INTERPRETAR DADOS, FATOS E SITUAÇÕES
Na sociedade moderna é fundamental a capacidade de descrever, analisar e comparar, para que a pessoa possa expor o próprio pensamento oralmente ou por escrito. Não é possível participar ativamente da vida da sociedade global, se não somos capazes de manejar símbolos, signos, dados, códigos e outras formas de expressão lingüística. Para serem produtivos na escola, no trabalho e na vida com um todos, os alunos deverão aprender a expressar-se com precisão por escrito.

4CAPACIDADE DE COMPREENDER E ATUAR EM SEU ENTORNO SOCIAL
A construção de uma sociedade democrática e produtiva requer que as criança e jovens recebam informações e formação que lhes permitam atuar como cidadãos. Exercer a cidadania significa: ser uma pessoa capaz de converter problemas em oportunidades; ser capaz de organizar-se para defender seus interesses e solucionar problemas, através do diálogo e da negociação respeitando as regras, leis e normas estabelecidas; criar unidade de propósitos partir da diversidade e da diferença, sem jamais confundir unidade com uniformidade; atuar para fazer do Brasil um estado social de direito, isto é, trabalhar para fazer possíveis, para todos, os direitos humanos.

5RECEBER CRITICAMENTE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Um receptor crítico dos meios de comunicação (cinema, televisão, rádios, jornais, revistas) é alguém que não se deixa manipular como pessoa, como consumidor, como cidadão. Aprender a entender os meios de comunicação nos permite usá-los para nos comunicarmos à distância, para obtermos educação básica e profissional, articularmo-nos em nível planetário e para conhecermos outros modelos de convivência e produtividade. Os meios de comunicação não são passatempos. Eles produzem e reproduzem novos saberes, éticas e estilos de vida. Ignorá-los é viver de costas para o espírito do tempo em que nos foi dado viver. Todas as crianças adolescentes e educadores devem aprender a interagir com as diversas linguagens expressivas dos meios de comunicação para que possam criar formas novas de pensar, sentir e atuar no convívio democrático.

6 CAPACIDADE PARA LOCALIZAR, ACESSAR E USAR MELHOR A INFORMAÇÃO ACUMULADA
Num futuro bem próximo, será possível ingressar no mercado de trabalho sem saber localizar dados, pessoas, experiências e, principalmente, sem saber como usar essa informação para resolver problemas . Será necessário consultar rotineiramente bibliotecas, hemerotecas, videotecas, centros de informação e documentação, museus, publicações especializadas e redes eletrônicas. Descrever, sistematizar e difundir conhecimentos será fundamental. Todas as crianças e adolescentes devem, portanto, aprender a manejar a informação.

7- CAPACIDADE DE PLANEJAR, TRABALHAR E DECIDIR EM GRUPO
Saber associar-se, saber trabalhar e produzir em equipe, saber coordenar, são saberes estratégicos para a produtividade e fundamentais para a democracia. A capacidade de trabalhar, planejar e decidir em grupo se forma cotidianamente através de um modelo de ensino-aprendizagem autônomo e cooperativo (Educação Personalizada em Grupo). Por esse método, a criança aprende a organizar grupos de trabalho, negociar com seus colegas para selecionar metas de aprendizagem, selecionar estratégias e métodos para alcançá-las, obter informações necessárias para solucionar problemas, definir níveis de desempenho desejados e expor e defender seus trabalhos. Na Educação Personalizada em Grupo, com apoio de roteiros de estudo tecnicamente elaborados a capacidade de decidir, planejar e trabalhar em grupo vai se formando à medida em que se permite à criança e ao adolescente ir construindo o conhecimento. Nestas pedagogias auto-ativas e cooperativas, o professor é um orientador e um motivador para a aprendizagem.

domingo, 20 de maio de 2007

DIÁRIO DE CLASSE


Olá,
Hoje trago um texto de Miguel Zabalza, professor da Universidade de Santiago de Compostela e autor de vários livros sobre educação. Tem várias publicações pela Editora Artmed. O texto de hoje é parte do artigo publicado na Revista Pátio nº 22, julho/agosto 2002. Fala sobre a importância do registro como instrumento de reflexão da própria prática. Tambémpode ser encontrado na íntegra no site:
http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=18
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



Os diários de classe dos professores
Miguel A. Zabalza


Escrever seu próprio diário é a experiência de contar (o que você mesmo faz) e de contar-se a si mesmo (como duplo ator: o ator que realiza as coisas contadas e o ator que as conta). Experiência narrativa que posteriormente tornará possível uma nova experiência, a de ler-se a si mesmo com atitude benévola ou crítica, mas tendo a oportunidade de reconstruir o que foi a atividade desenvolvida e nossa forma pessoal de vivê-la.

Escrever sobre o que fazemos e ler sobre o que fizemos permite que nos coloquemos a uma certa distância da ação e vejamos as coisas e a nós mesmos em perspectiva. Imersos como estamos no dia-a-dia, nessa atividade frenética que nos impede de parar para pensar, planejar, rever nossas ações e nossos sentimentos, o diário é uma espécie de oásis reflexivo. É como retroceder nosso vídeo para pausar a imagem e assim poder rever um pouco mais lentamente essas cenas de nossa jornada que, na azáfama constante da ação na classe, passaram um pouco despercebidas ou simplesmente as vivemos de passagem.

Uma jornada de trabalho em que tivemos de responder a muitas demandas (quase sempre de forma simultânea) passa ao acaso. As marcas que deixa são muito débeis, geralmente meras sensações de ter trabalhado muito, de ter tido uma jornada tensa, ou simplesmente de ter sobrevivido. E isso ao final do dia. Em poucos dias, tudo desaparece; as lembranças e as imagens que restam são muito vagas e imprecisas para merecer atenção. Porém, se registramos por escrito nossa experiência, o diário será sua "embalagem", a garantia de sua conservação. E poderemos voltar a ela quantas vezes quisermos para relê-la e reler-nos. E também para refletir a respeito.

Isto é o que pode proporcionar um diário. Além do prazer intrínseco de escrever (a que se acrescenta o fato de que se escreve sobre si mesmo, que é sem dúvida nosso argumento mais caro), o diário constitui um processo através do qual se vai acumulando informações sobre o dia-a-dia. Informações que serão valiosas para poder rever todo o período narrado.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

MÃE É MÃE!


Olá,
Hoje trago um texto publicado na Revista Cláudia, em maio de 2004. Considerei pertinente pela proximidade do dia das Mães. A continuação do texto, com depoimentos e entrevistas, pode ser encontrado em http://www.claudia.abril.uol.com.br
Beijos e Feliz Dia das Mães!
Boa leitura!
Eliete Nascimento




"Mãe é mãe mas não precisa ser santa

(Por Luciana Martinelli )

Não, doutor Freud não tinha razão quando dizia que somos "por natureza" masoquistas. Não somos capazes de encontrar prazer na dedicação absoluta aos filhos, consagrando todas as horas do dia a limpar, aquecer, distrair, alimentar e fazer dormir. Hoje sabemos disso, mas, algumas gerações atrás, as mulheres descontentes com esse esquema eram tachadas de "anormais".
Como foi ficando cada vez mais difícil corresponder aos modelos de perfeição ou de "normalidade", a raiva tomou conta de muitas de nós. Mas senti-la provocava mais culpa. Não é à toa que às vezes sucumbimos, odiando os filhos e a nós mesmas por não sermos um exemplo de benevolência - ao contrário, não raro perdemos a paciência por problemas prosaicos, que nos testam todo dia.
O maior desafio da mulher ainda é conseguir aceitar os próprios limites. "O que sempre dificultou nossa vida foi o fato de termos assumido muitos papéis", frisa a psicoterapeuta junguiana Lucia Rosenberg. "Como esses papéis são muito recentes, a culpa nos acompanha no horário comercial e nas happy hours. Pelos padrões seculares, deveríamos estar vendo a lição ou assando bolo..."
Mas nós mudamos e, graças às feministas, que chamaram o instinto materno de "enorme pilhéria", pudemos respirar mais aliviadas, reconhecendo que o amor de mãe é apenas um sentimento humano e, como todo sentimento, incerto, frágil e imperfeito. Ah, que alívio poder existir fora da fôrma, desenvolvendo relações mais transparentes com nossos filhos, sujeitas a altos e baixos, como todo vínculo humano honesto e verdadeiro.
Foi assim que conseguimos virar a página e deixar de viver a maternidade como obrigação, sabendo que não há comportamento materno suficientemente unificado que permita falar de instinto ou atitude universal. "As mulheres que se recusam a sacrificar ambições e desejos ao maior bem-estar do filho são demasiado numerosas para ser classificadas como exceções patológicas que confirmariam a regra", diz a escritora francesa Elisabeth Badinter em seu livro Um Amor Conquistado: o Mito do Amor Materno (Nova Fronteira), em que joga a pá de cal definitiva sobre a idéia da mulher "anormal", ou seja, aquela que escapa ao molde da santa senhora.
Desdobráveis, sim, heroínas, não Claro que algumas de nós conseguem desempenhar com certo talento e sem muito stress a dupla jornada de trabalho. Afinal, a maternidade é um dom, e não um instinto, e como tal há quem o possua - ou não.(...) "

sexta-feira, 4 de maio de 2007

SABER ESCREVER



Olá,
Hoje trago uma crônica de Martha Medeiros sobre a importância da escrita correta. A inspiração para disponibilizar este texto surgiu quando verifiquei alguns “deslizes” (lamentavelmente) em algumas palestras no V Congresso Internacional de Educação, que aconteceu no último dia 02 de maio no Rio Centro, Rio de Janeiro. Praticar a escrita, registrar idéias, fatos e comunicações, de um modo geral, contribui para aprimorar ou desenvolver um estilo próprio. Esta crônica foi publicada na Revista O Globo, em 15/05/2005. Foi retirado o último parágrafo.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento
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"QUEM PRECISA SABER ESCREVER?


Recebo e-mails de pessoas com idades e profissões diversas. Outro dia, chegou a mensagem de um sujeito muito gentil, fazendo comentários elogiosos à coluna. Cometeu alguns erros gramaticais comuns, como acontece com meio mundo, mas o que me surpreendeu foi que ele se despediu dizendo: ”Desculpe por não escrever o português corretamente, mas sabe como é, sou engenheiro.” O raciocínio era que se ele fosse escritor, jornalista ou professor, escrever certo seria obrigatório, mas sendo engenheiro, estava liberado desta fatura.
Assim como ele, inúmeras pessoas acreditam que escrever não está na lista das cem coisas quase deva aprender a fazer direito na vida. Antes de aprender a escrever bem, esforçam-se em aprender a falar inglês fluente, a jogar golfe e a utilizar o hashi numrestaurante japonês. Escrever bem? Não parece tão necessário, já que acabamos sendo igualmente compreendidos. “Espero não lhe encomodar com este e-mail, é que fasso jornalismo e queria umas dicas”. O recado foi dado, quem vai negar?
É preciso dizer que não há ninguém que não seja imune a erros. Todo mundo se engana, todo mundo tem dúvidas. Não conehço um único escritor que não trabalhe com o dicionário ao lado. De minha parte, sempre tenho uma consulta a fazer,nunca estou 100% segura, e mesmo tomando todas as precauções, erro. Acidentes acontecem. O que não pode acontecer é a gente se lixar para a aparência das nossas palavras.
Escrever bem_ não estou falando de escrever com estilo, talento, criatividade, apenas de escrever certo_ deveria ser considerado um hábito tão fundamental quanto tomar banho ou escovar os dentes. Um texto limpo também faz parte da higiene. Bilhetes, e-mails, cartões de agradecimento, tudo issodiz quem a gente é. Se você não sai de casa com um botão faltando na camisa, por que acharia natural escrever uma carta com as letras fora do lugar? (...)"

domingo, 29 de abril de 2007

A ARTE DE SER DESORGANIZADO




Olá,
Hoje trago um texto sobre desorganização, lapsos de memória e organização interna. O texto é de um livro que é uma gracinha, chamado "A ARTE DE VIVER BEM COMAS IMPERFEIÇÕES-jeitos simples de viver em paz com nossos pequenos defeitos", de
Veronique Vienne,com fotos de Erica Lennard. Ed. Publifolha, 2002.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.


"Observe como as pessoas sempre ficam mais lentas quando estão tentando se lembrar de alguma coisa. Quanto mais devagar estão, mais intensa a lembrança. Se param no meio do que estão fazendo,geralmente é porque tiveram alguma revelação inesperada. Se o sintoma persistir, e continuarem a interromper suas atividades para olhar o nada, logo se presume que estão num processo de decifrar alguma equação complicada nas profundezas da mente.
(...) Em geral, desacelerar antecede a recuperação de alguma informação perdida na memória. Digamos que você está pronto para sair. Pegou o guarda-chuva, ligou a secretária eletrônica, deu comida para o gato, mas em vez de abrir a porta, você pára. Num gesto automático, pega as chaves e os óculos. Tira o casaco e põe água nas plantas. Folheia a pilha de jornais,como se buscasse alguma pista. Quando já está desisitindo, lembra! É aniversário de sua mãe, e ela deve estar esperando, ao lado do telefone, por uma ligação sua.
Cada vez que desacelerar, hesitar em fazer algo ou inventar algum motivo sem sentido para se atrasar, preste muita atenção. Encare esses lapsos de organização como sinais de que está à beira de uma grande revelação. Provavelmente você está entrando numa zona de criatividade. Não interfira no processo apelando para seu “sargento interno – o homenzinho que anda pela sua cabeça segurando um chicote e um cronômetro”.
Tenha paciência mesmo quando embarcar em esquemas obssessivos-compulsivos. Quando cisma,por exemplo, que tem de reorganizar sua coleção de Quatro Rodas em ordem cronológica; ou quando decide,em ataque de maluquice, arrumar suas bolsas por tamanho e cor; ou quando tenta limpar o teclado do computador com cotonete embebido em álcool.
Ações sem sentido são prova de que sua tecla “pausa” está ativada, à espera de uma pista livre para pousar seu cérebro. (...)
Cometer erros faz parte do saber se organizar. Pense em suas falhas como um sinal de que está se preparando para uma longa jornada. (...)"


sexta-feira, 27 de abril de 2007

EDUCAÇÃO É TUDO


Olá,
Este texto foi usado numa campanha publicitária da Fundação Roberto Marinho. Fala sobre coisas simples, intimamente ligadas à educação. Educação numa visão ampliada, num olhar aberto para o mundo.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



"EDUCAÇÃO É TUDO!

Afinal, o que é Educação?
Quando você diz bom dia, é Educação.
Quando você planta uma árvore, é Educação.
Quando você diz com licença, muito obrigada, me desculpe, por favor, também é Educação.
Quando você deixa de jogar poluentes nos rios e mares, é Educação.
Quando você aprende que deve usar racionalmente a água, os minerais e os vegetais, é Educação.
Quando você aprende a ler, é Educação.
Quando você passa por um lugar histórico e sabe o que isto significa, é Educação.
Educação é o maior patrimônio de um ser humano.
Educação é ser solidário, é respeitar os outros, é ser responsável.
Educação não é só aprender a ler e escrever.
Quando você aprende a se relacionar com os outros, é Educação.
Quando você aprende a ler o mundo que o cerca, é Educação.
Quando você aprende um pouco mais sobre o seu país e sobre o mundo é Educação.
Quando você aprende um pouco mais sobre você, é Educação.
Educação é um processo que não termina nunca.
Quem tem Educação tem mais que um País, tem uma Nação!"