domingo, 28 de outubro de 2007

PROFESSORA OU TIA?


Olá,
Hoje trago um texto que retoma uma discussão que de vez em quando vem à tona, principalmente entre os professores de Educação Infantil e Séries Iniciais.
Copiei apenas um trecho, pois o artigo era grande.A autoria é de Luca Rischbieter, da Revista Educação. Quem gostar pode ler o artigo completo através do link ao final do texto.Afinal, professora ou tia é uma discussão antiga...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.




"Bons tempos em que chamávamos professoras de tias"...

"Dizem que uma da maneiras de chamar a atenção dos outros é apresentando pontos de vista polêmicos, e é isso que estou fazendo aqui, ao propor a discussão de uma idéia que pode parecer chocante para muitos(as) pedagogos(as):
1 - Não há nada de muito grave acontecendo se as crianças chamam suas professoras de "tias".
Essa idéia justifica-se pela percepção de um problema muito maior:
2 - Infinitamente mais grave é o fato de crianças e adolescentes não desenvolverem nenhuma espécie de familiaridade com seus professores e professoras.
A gravidade do problema que pretendo discutir é que me leva a pedir que, antes de criticar o artigo e o autor, o argumento seja acompanhado até o fim, em sua lógica.
Depois disso, se for o caso ainda, pode xingar.
Como assim, não há nada de mais em chamar professoras de tias?! Afinal de contas, muitos(as) de nós nos engajamos durante anos em um verdadeiro combate contra o antigo hábito de dizer "tia". E esse movimento tinha, e continua tendo, sua razão de ser: é uma luta contra uma visão excessivamente amadora da profissão de educadora.
Paulo Freire tem um livro com o título Professora Sim, Tia Não em que expõe de forma clara as principais razões para as professoras deixarem de ser "tias": essa visão de uma classe profissional como sendo constituída de parentes das crianças pode perpetuar a visão de que não é preciso uma boa qualificação para fazer o trabalho de ensinar, além de favorecer uma visão política passiva e alienada, já que identificar professoras como tias é quase como proclamar que "professoras", como boas "tias", não devem brigar, não devem rebelar-se, não devem fazer greve.
Essa idéia foi encampada por um grande número de escolas do país e, em muitas delas, criou-se o hábito de chamar as professoras pelo nome. Aliás, uma mudança saudável que, em boas escolas, pode favorecer a criação de relacionamentos pessoais de qualidade entre alunos e professores, talvez até melhores do que quando há o costume de sempre preceder os nomes por um "tia" ou "tio".
Mas também não posso deixar de admitir que conheço pessoalmente muitas ótimas escolas em que ainda existe o hábito de dizer "tia", e que sinceramente não acho que essa seja uma diferença fundamental na determinação nem da qualidade do ensino, nem do engajamento administrativo em processos de qualificação.
Se, em vez de Lúcia ou Maria, as crianças chamam suas professoras de tia Lúcia ou tia Maria, esse detalhe não me parece de forma alguma decisivo para definir as diferenças que podem existir entre duas escolas.
Podemos ter boas escolas em que as crianças chamam as professoras de tias e péssimas escolas em que há o hábito de chamá-las por seus nomes(...)"

Quer ver o artigo completo? Então clique no link e leia. Depois volte aqui para o meu blog e dê a sua opinião.
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=10650

A GENTE SE ACOSTUMA...


Olá,
Hoje trago texto de Marina Colassanti. É um texto bem conhecido e muito lindo. Faz a gente refletir sobre acomodação ou luta por mudança, sobre coisas pelas quais a gente deve se apaixonar e não se acostumar...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



"Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia...
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração...
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios...
E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado.

MALABARISMO


Olá,
Hoje trago um texto de caráter motivador, de autoria de BRYAN DYSON, ex-presidente da Coca-Cola,numa conferência realizada numa universidade americana. Fala sobre a relação entre o trabalho e outros compromissos da vida.
Este texto já chegou às minhas mãos duas vezes: a primeira vez, através dos textos de Luiz Almeida Marins Filho, divulgado pela Anthropos Consulting, que divulgou na íntegra (que está abaixo); a segunda vez através do boletim Semeando Mudanças, distribuído pelo DGRH da SME/PCRJ, com adaptações."
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.


"Imaginem a vida como um jogo, no qual vocês fazem malabarismos com cinco bolas que lançam ao ar. Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. O trabalho é uma bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas as quatro outras são de vidro. Se caírem no chã, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e busquem o equilíbrio na vida. Como?
01-Não diminuam seu próprio valor, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial. Não fixem seus objetivos com base no que os outros acham importante. Só vocês estão em condições de escolher o que é melhor para vocês próprios.
02-Dêem valor e respeitem as coisas mais queridas aos seus corações. Apeguem-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido. Não deixem que a vida escorra entre os dedos por viverem no passado ou no futuro. Se viverem um dia de cada vez, viverão todos os dias de suas vidas.
03- Não desistam quando ainda são capazes de um esforço a mais. Nada termina qté o momento em que se deixa de tentar. Não temam admitir que não são perfeitos.
04-Não temam enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.
05-Não excluam o amor de suas vidas dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dá-lo. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a sai próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.
06- Não corram tanto pela vida a ponto de esquecerem onde estiveram e para onde vão.
07- Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.
08- Não use imprudentemente o tempo ou as palavras. Não se podem recuperar.
09- A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo.
10-Lembre-se: ontem é história, amanhã é mistério e hoje é uma dádiva, por isso se chama presente. Vivam o presente com muita energia!"

"SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS"


Olá,
andando pelas páginas do site http://www.releituras.com.br, encontrei esta pérola na lista de biografia e obra de Rubem Alves.
Lindo texto, lindo filme!
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



"Deixo aqui, como possibilidade não pensada, este poema de Walt Whitman, o poeta da "Sociedade dos Poetas Mortos":

"Em nome de vocês...
Que ao homem comum ensinem
a glória da rotina e das tarefas
de cada dia e de todos os dias;
que exaltem em canções
o quanto a química e o exercício
da vida não são desprezíveis nunca,
e o trabalho braçal de um e de todos
— arar, capinar, cavar,
plantar e enramar a árvore,
as frutinhas, os legumes, as flores:
que em tudo isso possa o homem ver
que está fazendo alguma coisa de verdade,
e também toda mulher
usar a serra e o martelo
ao comprido ou de través,
cultivar vocações para a carpintaria,
a alvenaria, a pintura,
trabalhar de alfaiate, costureira,
ama, hoteleiro, carregador,
inventar coisas, coisas engenhosas,
ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,
e não considerar desgraça alguma
dar uma mão a si próprio."

O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 37.