sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A (MODERNA) LENDA DO PAPAI NOEL




Olá,
Hoje trago um texto de um escritor atual: Artur de Carvalho é autor dos livros "O Incrível Homem de Quatro Olhos", "Pah!". Além de escritor, Artur é cartunista. O texto foi retirado de http://www.releituras.com.br
Beijos e
Feliz Natal.
Eliete Nascimento.



A LENDA DA ÁRVORE DE NATAL
(e de quebra, a do Papai Noel também)
Artur de Carvalho

O pai e o filho pendurando os enfeites na Árvore de Natal.

- Passa essa estrela dourada aí, filho.

- Essa?

- É. Ficou bom aqui?

- Ficou. Ficou sim. Mas, ô pai...

- Hum?

- Essa árvore é de verdade?

- É claro que é. Você não está aí, pegando nela? Então é de verdade.

- Não é isso, pai.

- O que é então?

- Eu estou perguntando se ela é de verdade mesmo, dessas de plantar.

- E para quê você quer saber uma coisa dessas?

- Pra saber, ué.

- Tá bom. Ela não é de verdade. Passa essa bola vermelha aí.

- O quê?

- Essa bola aí, do seu lado. Passa pra mim.

- Ah, tá.

- Você acha que a bola fica bem aqui?

- Fica. Fica sim. Ô pai...

- Hum?

- Porque é que a gente tem que colocar árvore no Natal?

- Por quê? Oras, por que... por que sim. Para enfeitar.

- Enfeitar o quê?

- A casa. Todo mundo enfeita a casa no Natal.

- E enfeita com árvore por quê?

- É porque a árvore é... é... é uma lenda antiga, filho.

- E como é que é a lenda?

- A lenda? Bem. É uma lenda comprida, quer mesmo saber?

- Quero.

- Hum, bem, é que antigamente, tinha...hum... uma árvore que...hum... dava
presentes!

- Dava?

- É. Os presentes nasciam nela, sabe? Que nem fruta. E a época dela de dar
frutas era justamente na época do Natal. Nascia de tudo. Videogame.
Computador. Celular. Mp3. De tudo mesmo. E aí era só as pessoas irem lá e
pegarem os presentes. Ninguém precisava pagar nada. E então... então...

- Então o quê?

- Então... bem, então os donos das lojas começaram a ficar bravos porque
ninguém mais comprava presentes e eles não ganhavam dinheiro. E então...
então eles resolveram cortar todas as Árvores de Natal do mundo!

- Nossa...

- Uma noite, os donos das lojas, vestidos de vermelho e usando uma barba
branca falsa para disfarçar, saíram cortando todas as árvores, usando a
serra que eles levavam num saco. Não sobrou nenhuma! E desde aquele dia, a
gente tem que pagar caro pelos presentes de Natal...

- Os donos da loja... De vermelho? Com um saco? E barba branca?

- É... isso mesmo e... e... me passa esse sininho aí.

- O quê?

- Esse sino prateado. Pega aí. Pra pendurar na árvore!

- Ah, tá... - disse o filho, olhando desconfiado.

SER CRIANÇA NO NATAL



Olá,
Uma mensagem de muito otimismo para o Natal.
Beijos e
Feliz Natal!
Eliete Nascimento.



SEJA CRIANÇA DE NOVO!

Fiquei sabendo que você cresceu
E já não acredita mais em Papai Noel.
Como pode esquecer daquele tempo de criança,
Onde a fantasia reinava ?
O tempo em que você antes de se deitar,
Colocava seu sapatinho na janela
E acordava cedinho, na esperança de encontrar
O presente que Papai Noel lhe deixaria ?
Hoje seus sonhos são outros...
Cadê a "sua " criança ?
Perdeste-a ao longo da vida ?
Não estará ela escondidinha no seu coração ?
Procure-a !
Ela ainda vive dentro de você !
Não deixe que seus sonhos morram !
A fantasia nos faz viver, sonhar, desejar...
Coloque seu sapatinho na janela !
Faça seu pedido !
Talvez ele demore um pouco a se realizar
Mas a vida já te ensinou que tudo tem seu tempo
E você já aprendeu a esperar, a ter paciência...
Já aprendeu que se seu pedido não se realizar
Pode já ser um grande presente,
Pois, nem tudo que queremos é para o nosso bem
Então, pegue seu sapatinho da esperança
Coloque-o na janela do desejo
E aguarde para que seus sonhos se tornem realidade.
Depois sorria e agradeça seu presente de Natal!
E seja muito, muito FELIZ!!!!!!!!!!!

PARA QUEM NÃO GOSTA DE NATAL


Olá,
Este texto é do Mário Prata e cai muito bem para aquelas pessoas, que por um motivo ou outro não gostam do clima que envolve o Natal. É bom ouvir uma opinião diferente da nossa. O texto foi retirado de http://www.releituras.com.br.
Mas eu (ainda) gosto...
Beijos e
Feliz Natal!
Eliete Nascimento.


JINGLE BELL PRÁ VOCÊS
Mário Prata

Não gosto do Natal. Não chego a odiar mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para "simbolizar" a neve. Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade.
Além de não gostar do Natal, em alguns aspectos, ele chega a ser irritante: Em vários aspectos. Senão, vejamos:
— Quer coisa mais irritante durante o mês de dezembro do que ir a um barzinho ou restaurante, de noite, para tomar um chopinho e ter, ao seu lado, aos gritos, berros e urros, uma "festinha da firma", com risos histéricos, discursos (...) do "chefe", gozações com a "gostosa" da firma e a indefectível troca de "amigos secretos?" Por que gritam tanto nas "festinhas da firma?" E quando você vai ao banheiro sempre tem um ou dois funcionários burocraticamente vomitando. Como se vomita no Natal! Principalmente os bancários.
— E o "amigo secreto" então? Já notaram que sempre sai para quem não é nem muito amigo e muito menos muito secreto? E você passa o mês inteiro tendo que imaginar o que vai dar praquele chato. Se o "amigo secreto" já é uma relação constrangedora na firma, em família então, nem se fala. Em primeiro lugar, porque dois ou três dias depois do "sorteio", todo mundo já sabe quem é o amigo de quem. Você já sabe pra quem vai dar e de quem vai receber. Essas informações sempre vazam no seio familiar. Sempre tem uma irmã que sabe de todos, ninguém sabe como. E você que torceu para não sair aquela prima fofoqueira, pois é justamente com ela que você vai se abraçar logo mais. E dizer todas aquelas frases. Todas, são insubstituíveis.
— E as propagandas de Natal? Existe coisa mais horrível que este bando de gordos com brancas barbas, puxados por veadinhos? A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o "espírito natalino" nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1.994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais "criativos", que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro.
— E aqueles Papais Noéis que vão de casa em casa e os pais obrigam as criancinhas a dar beijo naquele sujeito imenso, barba descolada, sapatão de militar, já meio bêbado depois de passar em várias casas de amigos e parentes? As criancinhas esperneiam, não dormem semanas seguidas, sonhando com aquele monstro que o pai fez beijar. Meu Deus, é um outro pai que eu tenho?, devem pensar os pequenininhos da família. E o monstro ainda diz "coisas" para os indefesos, presos nos braços do pai ou da mãe, quiçá da avó: este ano, não vai fazer malcriação, vai comer toda a papinha, não vai mentir e nem fazer xixi na cama, viu, Rony? Coitados.
— Mas o pior mesmo é a ceia, propriamente dita. Com o passar dos anos, a família vai crescendo e de repente já são quatro gerações que estão ali, de olho no peru. Umas 50 pessoas. E ali dá de tudo. Cunhados que não se falam, a velhinha que não escuta os planos do asilo, o fulano que está falido, coitado, a prima que está dando para um sobrinho, aquele casal que está separado mas que, no Natal, baixa o "espírito" e eles comparecem juntos. Todo mundo sabe que se odeiam. Mas é Natal. Aquele tio que deve tanto para o seu irmão também está lá. Mas é Natal. E a irmã que não pagou a trombada que ela deu com o carro do tio-avô? Tudo é permitido. Afinal, é Natal. Nasceu quem mesmo? Jesus, não foi? E, por isso, à meia-noite, todos dão as mãos e rezam (des)unidos.
— E, para terminar: existe música mais chata que Jingle Bell?
Já o Reveillon, é o maior barato. É quando tomamos o porre para tirar e esquecer a ressaca do Natal. Mas não adianta. No ano que vem, tem outro Natal.

NATAL DE TRANSFORMAÇÕES




Olá,
Esta mensagem fala sobre aproveitar os bons e maus momentos vividos no ano e fazer pequenas transformações.
Beijos e
Feliz Natal!
Eliet Nascimento

Transformação no Natal


Mais um ano chega ao fim.

É tempo de fazer um balanço de tudo o que aconteceu.

É tempo de transformarmos:

os momentos bons em novas energias, entusiasmo e principalmente esperança de todo que os nossos sonhos vão se realizar!

os momentos maus em um lembretes para não cometermos novamente os mesmos erros no ano que vem.

os momentos difíceis serem peças fundamentais de que tudo na vida passa e que esses momentos no futuro nos ajude a terem momentos felizes.

É tempo de agradecermos a Deus por todos os momentos felizes que tivemos!

Feliz Natal!

NATAL - FERNANDO SABINO



Olá,
Hoje trago um trecho de "Mais um Natal" do maravilhoso Fernando Sabino. O texto completo pode ser lido em http://www.releituras.com.br
Beijos e
Feliz Natal!
Eliete Nascimento


MAIS UM NATAL
(Fernando Sabino)


"Aviso num restaurante de Brighton, que o dono fez imprimir no cardápio, à revelia dos garçons:

Somos seus amigos e lhe desejamos um Feliz Natal. Por favor, não nos ofenda, dando-nos gorjetas."

Junto à porta de saída, entretanto, os garçons fizeram dependurar uma caixinha sob o letreiro: "Ofensas”.

E no dia de Natal, como sempre, todos os bares de Londres permanecem fechados. Mas consegui realizar o milagre de encontrar em Chelsea um bar aberto, lá para as dez horas da noite. Meio desconfiado, fui entrando — logo um dos fregueses se adiantou, copo de cerveja na mão:

— Perdão, cavalheiro, mas o senhor já foi à igreja hoje?

E se justificou estendendo o braço ao redor, para apontar os demais fregueses, que bebiam cerveja em silêncio.

— Porque aqui dentro, nós todos já fomos.

E sem esperar resposta, passou-me o seu copo de cerveja, pedindo ao barman outro para si." (...)

NATAL DE LEMBRANÇAS



Olá,
Esta mensagem de Natal me fez lembrar os deliciosos momentos de Natal da minha infância e da convivência em família.
Beijos e
Feliz Natal!


NATAL: LEMBRANÇAS E SIGNIFICADOS

Natal simboliza nascimento.
Na história da humanidade, o nascimento de Cristo.
Na história de cada um de nós, significa nascimento de novas esperanças, novos sonhos: desejo de confraternização, de criação, de vida nova.

Talvez por isso, nessa época de Natal, sintamos tanta vontade de alegrar e enfeitar nossas casas, de abraçar as pessoas queridas.
Alguns símbolos se tornaram indispensáveis quando chega dezembro, tais como: a árvore de natal, Papai Noel, Presépio, cartão de natal, os presentes, a ceia e outros tantos.

Existem algumas tradições que não se perdem nunca.
O tempo passa, as pessoas mudam, o mundo moderniza-se, mas o que é tradicional permanece sempre.
Quem teve a felicidade de ter na infância a família reunida em torno de um pinheirinho para enfeitá-lo com bolas coloridas, a espera ansiosa pela chegada do Papai Noel na véspera do natal; a hora de abrir os presentes; a ceia de natal com tantas comidas gostosas e o almoço no dia 25 onde reuniam-se familiares e amigos não esquece nunca... Acreditamos e esperamos que essa tradição jamais seja esquecida.

Desejamos a todos um Natal repleto de alegrias!!!

NATAL INFORMÁTICO



Olá,
Achei esta mensagem muito interessante.
Beijos e
Feliz Natal!
Eliete Nascimento.




Dê um CLIQUE DUPLO neste NATAL!
ARRASTE JESUS para seu DIRETÓRIO PRINCIPAL.
SALVE-O em todos SEUS ARQUIVOS PESSOAIS.
SELECIONE-O como seu DOCUMENTO MESTRE.
Que Ele seja seu MODELO para FORMATAR sua vida: JUSTIFIQUE-a e ALINHE-a À DIREITA e À ESQUERDA, sem QUEBRAS na sua caminhada.
Que Jesus não seja apenas um ÍCONE, um ACESSÓRIO, uma FERRAMENTA, um RODAPÉ, mas o CABEÇALHO, a LETRA CAPITULAR, a BARRA DE ROLAGEM de seu caminhar.
Que Ele seja a FONTE da graça para sua ÁREA DE TRABALHO, o PAINTBRUSH para COLORIR seu sorriso, a CONFIGURAÇÃO de sua simpatia, a NOVA JANELA para VISUALIZAR o TAMANHO de seu amor, o PAINEL DE CONTROLE, para CANCELAR seus RECUOS COMPARTILHAR seus RECURSOS e ACESSAR o coração de suas amizades.. COPIE tudo que é bom DELETE seus ERROS.
Não deixe à MARGEM ninguém, ABRA as BORDAS de seu coração, REMOVA dele o VÍRUS do egoísmo.
Antes de FECHAR, Coloque JESUS nos seus FAVORITOS e seu Natal será o ATALHO de sua felicidade!
CLIQUE agora em OK para ATUALIZAR seus CONTEÚDOS!

ALMA PERFUMADA



Olá,
Esta é uma mensagem de Natal para dar àquelas pessoas especiais.
Beijos e
Feliz Natal!
Eliete Nascimento.




GENTE COM ALMA PERFUMADA
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, de sol quando acorda, de flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete, melando os dedos com algodão doce. O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver...
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo como quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel...
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria, recebendo um buquê de carinhos, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa, do brinquedo que a gente não largava, do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro...
Tem gente, COMO VOCÊ, que nem percebe como tem a alma perfumada!
E esse perfume é dom de Deus.

NATAL


Olá,
Depois de mais de um mês sem postagens, trarei este mês variadas mensagens de Natal.
Um abraço e
Feliz Natal!
Eliete Nascimento.


Ilumine o Natal com esperança de amor, esperança de dias melhores.
Ilumine um olhar, com cumprimentos de felicidades e paz.
Ilumine seus dias, para que deles sejam lembrados, os melhores momentos de alegria. Ilumine sua família, para que não esqueçam que a base de tudo é amor e compreensão. Ilumine seu natal, para que não seja mais uma festa, e sim uma lembrança de uma época inesquecível e abençoada.
Feliz Natal!!!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

escola nova



Olá,
Hoje trago um trecho do Manifesto Escola Nova. Como vencedora 2 anos seguidos do concurso de monografias do Prêmio Anísio Teixeira, realizado pelo Centro de Referência da Educação Pública, considero seus ideais atualíssimos.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.



"(...) a educação que, no final de contas, se resume logicamente numa reforma social, não pode, ao menos em grande proporção, realizar-se senão pela ação extensa e intensiva da escola sobre o indivíduo e deste sobre si mesmo nem produzir-se, do ponto de vista das influências exteriores, senão por uma evolução contínua, favorecida e estimulada por todas as forças organizadas de cultura e de educação. As surpresas e os golpes de teatro são impotentes para modificarem o estado psicológico e moral de um povo. É preciso, porém, atacar essa obra, por um plano integral, para que ela não se arrisque um dia a ficar no estado fragmentário, semelhante a essas muralhas pelágicas, inacabadas, cujos blocos enormes, esparsos ao longe sobre o solo, testemunham gigantes que os levantaram, e que a morte surpreendeu antes do cortamento de seus esforços... (...)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

LICENÇA POÉTICA


Olá,
Hoje trago um texto de Adélia Prado sobre a arte de escrever. Foi retirado do site www.releituras.com.br.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento






Com licença poética]

(Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

PEDRAS



Olá,
Hoje trago um texto que me foi passado numa reunião dada pela professora Vera Turino, diretora da divisão de educação da 2º CRE, da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. Fiz algumas alterações e usei como reflexão com as professoras.
Espero que ao ler este texto você também aproveite.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento

A PEDRA

O distraído nela tropeçou,
O bruto a usou como projétil,
O empreendedor, usando-a, construiu
O camponês fez dela assento
O alpinista a escalou
O egípcio construiu pirâmides,
O grego construiu templos
O romano construiu fóruns
O joalheiro fez dela uma jóia
Davi, com a pedra, matou Golias
Drummond a poetizou
Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura
Em todos os casos
A diferença não estava na pedra,
Mas sim no homem!
Não existe pedra no seu caminho
Que não possa ser aproveitada
Para o seu próprio crescimento.
(autor desconhecido)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

20 DICAS DE SUCESSO



Olá,
Hoje trago coisinhas bem simples para viver melhor. A dica é do Luiz Marins Filho, de quem sou fã. Retirei do site WWW.profissaomestre.com.br
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento


20 Dicas de Sucesso
Luiz Marins Filho


1. Elogie três pessoas por dia.
2. Tenha um aperto de mão firme.
3. Olhe as pessoas nos olhos.
4. Gaste menos do que ganha.
5. Saiba perdoar a si e aos outros.
6. Trate os outros como gostaria de ser tratado.
7. Faça novos amigos.
1. Saiba guardar segredos.
2. Não adie uma alegria.
3. Surpreenda aqueles que você ama com presentes inesperados.
4. Sorria.
5. Aceite sempre uma mão estendida.
6. Sempre que possível, pague suas contas em dia.
7. Não reze para pedir coisas; reze para agradecer e pedir sabedoria e coragem.
8. Dê às pessoas uma segunda chance.
9. Não tome uma decisão quando estiver cansado ou nervoso.
10. Respeite todas as coisas vivas, especialmente as indefesas.
11. Doe o melhor de si no seu trabalho.
12. Seja humilde, principalmente nas vitórias.
13. Jamais prive uma pessoa de esperança. Pode ser que ela só tenha isso.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

APROVEITE ONDE VOCÊ ESTÁ



Olá,
Hoje traga uma pequena mensagem para iniciar bem a semana. O recesso está chegando e será um bom momento para descansar e recarregar energias para o próximo semestre.
A fonte: www.profissaomestre.com.br.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



Aproveite onde você está

Ralph Marston
Não existe nada que seja intrinsecamente agradável. O que uma pessoa adora, outra com certeza pode odiar. O “agradável” vem da sua atitude perante aquela situação particular, e não da situação em si.

Muitas pessoas procuram em vão por atividades, relacionamentos, ambientes e diversões agradáveis. Uma estratégia muito melhor seria parar de procurar e começar a aproveitar.

O prazer não está na atividade. O prazer está em você. Onde estiver, seja lá o que estiver fazendo, encontre uma maneira de divertir-se. É claro que é muito bom procurar grandes conquistas ou melhorar a vida. Mas não se engane imaginando que essas coisas virão embrulhadas em prazer. Afinal, o prazer depende de você.

Talvez você não tenha escolhido estar onde está, e é muito bom que dedique-se a mudar de rumo. Mas, enquanto estiver aí, aceite o fato e aproveite o máximo que puder. Quanto mais você aproveitar os pequenos momentos, mais prazer terá quando chegar onde quer.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

RECLAMAR OU LAMENTAR



Olá,
Hoje trago um texto de César Augusto Dionísio sobre reclamações e lamentações. A fonte? http://www.profissaomestre.com.br
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


Uma frase de Mark Twain, que não me sai da cabeça desde que conheci, aceita uma breve tradução como “Aparentemente, não existe nada que não possa acontecer hoje”. O escritor americano deposita, assim, em nossas mãos, nosso próprio destino. Já que aparentemente tudo pode acontecer hoje, devo descobrir qual a minha contribuição nas coisas que comigo acontecem. Lembro ainda que a rota de uma vida inteira se relaciona indireta e intimamente às decisões que tomamos no cotidiano. Um dia por uma vida e uma vida por um dia. E neste mapa de incertezas, acertar ou errar pode ser uma questão de ponto-de-vista, uma questão entre fazer ou não fazer, aceitar ou não aceitar, uma questão bem localizada no dilema de reclamar ou lamentar.

Observando bem de perto as palavras ‘reclamar’ e ‘lamentar’, uma distinção clara me chega à mente depois de uma reflexão que surgiu como uma faísca de pensamento. ‘Reclamar’ e ‘lamentar’ são duas palavras muito distintas em sua aplicação e uso e que podem definitivamente mudar o cotidiano de muita gente por aí.

Reclamamos quando achamos que está errado e queremos mudança. Lamentamos quando não tem mais conserto ou solução. Não tem mais jeito. Para quem reclama, ainda existe um jeito. Para quem lamenta, não mais. ‘Reclamar’ é buscar uma solução. Uma, pelo menos. ‘Lamentar’ acontece quando todas as soluções já se foram e se encontram esgotadas. Ou melhor, nem se encontram mais. ‘Reclamar’ é procurar e não achar. ‘Lamentar’ é nem tentar achar. Lamentações servem como ponto final. Reclamações são vírgulas, à procura de um texto melhor. Reclamamos justamente para não termos que lamentar no futuro. Reclamar com educação representa um grande e forte traço de consciência.
Importante mesmo é aprendermos a reclamar. Um consumidor consciente reclama. Mas um consumidor consciente é, acima de tudo, um consumidor educado. Educação, consciência e reclamações são conceitos relacionados em cadeia.
Até para fazer auto-crítica é preciso ter educação, no sentido mais trivial das boas maneiras. Ser rude consigo mesmo não vale. Reclamar educadamente traz a boa oportunidade de se perguntar: ‘E agora?’. Nessa possibilidade de transformação, está a possibilidade de melhoria.
Reclamamos com nossos filhos na tentativa de educá-los. Não desistimos deles. Senão, restaria apenas lamentar. Feliz daquele que reclama com educação. Feliz daquele que reclama de si próprio para si próprio.
Feliz daquele que consegue abrir ou fechar portas conscientemente e provar que é mestre de si. Triste daquele a quem só resta lamentar porque não foi educado.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

QUEBRA-CABEÇAS



Olá,
Hoje trago um texto do Rubem Alves sobre a vida. Fonte: http://www.rubemalves.com.br/
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento


Quebra-cabeças
Rubem Alves


Penso que a vida se parece com um quebra-cabeças.
Quebra-cabeças: milhares de peças espalhadas sobre a mesa, uma bagunça enorme, que não faz sentido. Mas as caixas dos quebra-cabeças que se compram nas lojas dizem que a bagunça pode se transformar em beleza: elas trazem impresso o modelo, que pode ser um lago, um castelo, um menina lendo um livro, um jardim, um anjo tocando bandolim...
Gastamos então horas e horas (eu já gastei meses...) pacientemente trabalhando para transformar o caos em sentido.
Pois eu pensei que a vida é um quebra-cabeças com milhares, milhões de peças.
Mas acontece que o quebra-cabeças da vida não vem acompanhado de um modelo.
Não sabemos o seu sentido.
Não sabemos como é a sua beleza. O modelo precisa ser inventado.
E é somente o coração, ajudado pela inteligência, que pode fazer isto. Os dois se põem, então, a trabalhar. Observam as peças, conferem as cores, examinam as formas e, repentinamente, aparece um modelo, produzido pela magia da imaginação.
O modelo não foi visto, porque ele não está em lugar algum. Ele é um sonho! Mas, se é que não sabem, que aprendam: a vida é feita com sonhos!
Se o sonho nos parecer belo, começaremos a organizar as peças fragmentárias da nossa vida para que o sonho se torne realidade porque desejamos que a vida seja bela.
Certezas não há.
Mas se o sonho nos seduzir por sua beleza, teremos coragem para apostar nele a nossa vida inteira. Apostar a nossa vida num sonho, sem certeza alguma, é isso que se chama fé. A essa beleza invisível, sonhada que nos seduz e chama, eu dou o nome de Deus...
Como disse Fernando Pessoa: “ Deus quer. O homem sonha. A obra nasce.”

terça-feira, 1 de julho de 2008

O LOBO CALUNIADO



Olá,
Hoje trago outra versão de uma história muito conhecida. A fonte: LIEF, Fern. In: “Direitos Humanos no Brasil, conferencia para educadores”. São Paulo, Editora Artes Gráficas. 1986. Pode se rusado para trabalho com questões relacionadas a interpretações, literatura, versões diferentes do mesmo fato, novos olhares, pontos de vista, razão, etc.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.


O Lobo Caluniado

A floresta era o meu lugar. Eu morava lá e cuidava dela. Tentava mantê-la limpa e em ordem. Num dia ensolarado, enquanto estava retirando o lixo que um campista havia deixado, ouvi uns passos. Pulei atrás de uma árvore e vi uma menina meio feia descendo o caminho e carregando uma cesta. Logo desconfiei dessa menina porque estava vestida de uma maneira muito estranha: toda de vermelha e com a cabeça coberta de tal forma que parecia não querer que alguém soubesse quem era. Claro que parei para verificar quais eram suas intenções. Perguntei quem era, aonde ia, de onde vinha. Ela me contou uma história mal contada, de que ia para casa da avó com uma cesta de comida. Parecia ser uma pessoa honesta, mas acontece que ela estava na minha floresta e, de fato, parecia meio suspeita com essa roupa estranha que vestia. Então, resolvi lhe dar uma lição para mostrar como era séria essa história de se pavuniar pela floresta sem ser anunciada e vestida dessa maneira.
Deixei-a seguir seu caminho, mas logo corri na frente para chegar na casa de sua avó. Quando vi aquela senhora simpática e lhe expliquei meu problema, ela concordou que sua neta precisava aprender uma lição. Escondeu-se debaixo da cama, esperando que eu a chamasse quando fosse necessário.
Quando a menina chegou, eu a convidei para ir ao quarto onde eu estava. Eu estava na cama, vestido como sua avó. A menina entrou toda corada e disse alguma coisa malcriada sobre minhas grandes orelhas. Já havia sido insultado antes, tentei então aproveitar suas palavras, sugerindo que minhas grandes orelhas me ajudariam a ouvir melhor. O que eu quis dizer é que gostava dela e queria dar maior atenção ao que ela dizia. Mas aí, ela fez mais uma gozação, dizendo que meus olhos eram esbugalhados. Agora você pode entender o que eu estava começando a sentir por aquela menina. Com essa fachada tão bonita, ela escondia ser uma pessoa muito desagradável. Mas resolvi lhe dizer que meus olhos grandes me ajudavam a vê-la melhor.
O insulto seguinte realmente me atingiu. Eu tenho um problema com esses meus dentes muito grandes. E essa menina fez uma malcriação a respeito deles. Sei que deveria me controlar, mas pulei da cama e rosnei dizendo que meus dentes me ajudariam a comê-la melhor.
Agora, vejam bem, nenhum lobo comeria uma menininha, todo mundo sabe disso, mas essa menina maluca começou a correr pela casa gritando e eu correndo atrás dela tentando acalmá-la. Eu já tinha tirado a roupa da vovó, com a qual estava vestido, mas isso parecia piorar as coisas. Até que, de repente, a porta se abriu som um estrondo e um lenhador grandão estava lá de pé, com seu machado. Eu o olhei e vi que estava em apuros. Havia uma janela aberta perto de mim e pulei fora.
Gostaria de dizer que este foi o fim da história. Mas acontece que aquela vovó nunca contou o meu lado da história. Logo espalhou o boato de que eu era um lobo mesquinho o chato. Todo mundo começou a se esquivar de mim. Não sei bem o que aconteceu com aquela menina, mas eu não vivi feliz para sempre.

sábado, 28 de junho de 2008

ZIRALDO



Olá,
Hoje trago um texto do Ziraldo. O interessante ele só mostra no final do texto e aí sim, percebemos o que na verdade, não percebemos. Leia ate o final do texto. A fonte: http://www.releituras.com.br.Texto extraído do livro "Crônicas Mineiras", Editora Ática — São Paulo, 1984, pág. 109.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



Reminiscência
Ziraldo


Nasci numa pequena cidade de Minas. Até aí nada demais. Muita gente nasce em cidades pequenas, distantes e quietas. Seria feliz, de qualquer maneira, se quem lê neste instante pudesse saber a alegria que existe em se nascer num lugar assim, em que as ruas pequenas e estreitas, as altas palmeiras, a água macia da chuva que cai sempre, as muitas estrelas e a lua, as pedrinhas das calçadas, a meninada, a carteira da sala de aula, a mestra e mais uma quantidade destas lembranças simples sejam, mais tarde, influências reais na vida da gente. Na vida de quem, afinal, preferiu enfrentar a cidade grande: as águas desse mar, a luz dessas lâmpadas frias, a sala fechada, triste e sem perspectivas em que se ganha a vida, a cadeira quente e insegura das tardes de ir e vir — pura fadiga — das empresas, a luta, a dura luta de ser alguém, um peixe grande em mar estranhamente grande. A verdade é que, um dia, a pensar e refletir na grama macia da pracinha da matriz, a criança decidiu sair.

E a estrada se abriu a sua frente. Vir era uma idéia. Fixa. Caminhar era fácil.

A chegada: a rua imensa, as buzinas, as luzes, sinal verde, aquela cidade grande, grande ali, na sua frente. Cada face, cada ser que passava — pra lá e pra cá — inquietamente, tanta gente, suada, apressada, sem alegria, sem alma, a alma cerrada, enrustida, cada triste surpresa era a chegada.

Cheguei. Um táxi. A mala. As esquinas. Está bem, mas, que fazer? Sentei e pensei. Pela janela da casa alta vai a vida. Seria a vida? E disse a primeira frase na cidade grande, as primeiras palavras diante da grande luta e as palavras eram: Meu Deus, que saudade! E nem um dia me separava da pracinha da matriz. Cada dia que, a seguir, vi passar, esqueci.

Diante da máquina, neste instante, há uma distância imensa entre aquele dia na missa cantada na minha igrejinha e este dia em que, diante de mim, diante de minha mulher e da minha casa feita de cidade grande, minhas filhas brincam de ser gente grande.

E elas. Que vai ser delas? Sem palmeiras, sem um pai de ar grave; sem entender a chuva a cair em jardins humildes, nas margaridas branquinhas; sem entender de lua e de estrelas — que céu aqui, pra se ver nem se vê —, sem brincar na lama das ruas, a lama das chuvas, casca de palmeira, descer as barracas, nadar sem mamãe saber, nas águas escuras, fim de quintal, quintal, quintal? sem quintal? pedrinha de calçada, marcar a canivete sua inicial na carteira da sala. Ainda bem que nasceram meninas.

Já é diferente. Será que é? Sei lá. Entre a chegada e este instante, lembrança nenhuma. Sei que cheguei.

E sei mais: que esta página está é uma grande besteira, dura de cintura, sem graça, uma m... Já se vê que quem nasceu para caratinguense nunca chega a Rubem Braga. E também tem mais: Quem é capaz de escrever uma página literária decente — igual a essa (?) — sem usar uma vez sequer a letra O? Leiam mais uma vez. Atentamente. Se tiver um — além deste aí em cima — eu como!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

LER DEVIA SER PROIBIDO



Olá,
Hoje traga um ótimo texto sobre LEITURA e as reações que ela provoca no leitor. Este texto foi adaptado por mim e usado para reflexão com o corpo docente num dos centros de estudos da escola onde atuo como ccordenadora. A fonte do texto é: Guiomar de Grammont - in PRADO, J. e CONDINI, P. (org.) A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. Pp 71-3.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento
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LER DEVIA SER PROIBIDO

Ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo imenso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz. Ainda, estaria mais afeito à realidade cotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-lo com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido. Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das estrelas, há estrelas por trás das nuvens. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e par ao trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam; se todos se pusessem a articular bem as suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista da sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. É esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há correntes, prisões tampouco. O que pode ser mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns. Jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Sejam em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder e o poder é para poucos. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público o secreto. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

terça-feira, 24 de junho de 2008

QUINTANA




Olá,
Hoje a linguagem poética tomou conta do blog. Há quase um mês sem postar, acho justo retomar em grande estilo. A fonte é http://www.releituras.com.br
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Mario Quintana


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!


Estes versos são publicados nesta data, 30 de julho de 2006, como uma homenagem ao poeta Mario Quintana, que estaria completando 100 anos de idade, se vivo fosse.

Extraído do livro "Quintana de bolso", Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco.

Tudo sobre Mario Quintana e sua obra em http://www.releituras.com.br/biografias

DRUMMOND



Olá,
Hoje trago uma poesia do querido Drummond. O tempo anda curto e as postagens lentas. Ritmo de meio de ano. A fonte é http://www.releituras.com.br.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.
Carlos Drummond de Andrade

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

GLOBALIZAÇÃO



Olá,
Hoje trago um texto do italiano Domenico De Masi sobre GLOBALIZAÇÃO. O texto está na íntegra e foi retirado do livro "O ócio criativo", Rio de Janeiro: Sextante, 2000, páginas 133 a 135. Neste trecho do livro o autor faz um resumo sobre os valores que caracterizam a sociedade pós-industrial. O livro é muito interessante para a refletir sobre temas como industrialização, globalização, sociedade industrial, sociedade moderna e pós-moderna, tecnologias, criatividade, entre outros. Vale a pena comprar o livro!
Beijos e boa leitura!


É sabido que, quando se atira uma pedra num lago, se obtém uma série de ondas concêntricas que se propagam, de forma contínua, por toda a superfície aquática. Do mesmo modo, graças ao progresso tecnológico, o nosso planeta tornou-se hoje como um pequeno lago, onde cada onda atinge e envolve rapidamente até os cantos mais remotos.
Se um avião sofre um atraso na rota Tóquio-Moscou, isto gera repercussões e distúrbios em todos os aeroportos do mundo. Se as ações da IBM sofrem algum tipo de inflexão na Bolsa de Milão, este fato atingirá Wall Street imediatamente. Globalização é isso: o globo, agora é uma grande aldeia.
Em outros tempos, a construção de um carro pela Fiat não ultrapassava os muros de sua própria fábrica. Hoje, cada um de seus carros contém pelo menos doze mil peças, das quais só duas mil são produzidas pela Fiat. Outras duas mil são compradas na Itália, e as oito mil peças restante compradas em outros países da Europa e fora dela. *
A miniaturização dos componentes e a melhora dos transportes incrementam esta troca permanente, pela qual cada objeto, seja uma simples caneta ou relógio, contém partes que provêm de vários continentes.
São globalizados: os meios de comunicação de massa, a ciência, o dinheiro, a cultura. Todos os telejornais contém notícias, imagens e vozes reunidas e transmitidas de todo o mundo, em tempo real. Cada laboratório científico mantém contato e troca de informações com outros laboratórios. Igualmente globalizados são os mercados monetários: as empresas mudam rapidamente de proprietários, com a simples passagem dos pacotes de ações deuma mão à outra. Somente no mercado de Londres são negociados 75 trilhões de dólares por ano, igual a 25 vezes o valor de todos os bens que o mundo inteiro produz neste mesmo intervalo de tempo.
A vida inteira é globalizada: o mundo inteiro escuta as mesmas canções, assistem aos mesmos filmes, usa os mesmos objetos e tendo aos mesmos costumes. A cadeia McDonald's vende 15 milhões de hambúrgueres por dia, todos iguais, nas suas dezesseis mil lanchonetes espalhadas por 83 países. O vinho Chianti vende 128 milhões e 300 mil garrafas por ano. A Coca-Cola vende 32 milhões de garrafas por hora.
Das pelo menos 20.000 línguas que existiam, atualmente parece que sobrevivem apenas 7.000, e além disso, entre essas criou-se uma nova hierarquia. O inglês e o espanhol são falados por vários bilhões de pessoas, tornando-se indispensáveis à comunicação entre os povos.
E a internet é um passo a mais nesta direção: quem não sabe inglês não pode navegar na rede.(ou navega com limitações**)
Já no passado, ocorreu algo parecido com o latim, língua oficial do Império Romano e depois da Igreja. Logo, era uma língua falada por todas as elites. Porém, justamente, tratava-se de elites, não de massas informadas pela mídia e pela internet.
Hoje, em qualquer parte do mundo onde se tome um táxi, escuta-se no rádio rock americano. Estive recentemente em Manaus e em outras áreas da Amazônia: também ali encontrei a mesma Coca-Cola, os mesmos guias turísticos, os mesmos telejornais de todo o resto do mundo.
Os antropólogos, os maiores especialistas no assunto, nos advertem contra os perigos irreparáveis desse achatamento global.

*Eu acrescentaria questões associadas aos custos da mão-de-obra, muito mais baratas em alguns países do que em outros.
**Nota da Eliete.

terça-feira, 13 de maio de 2008

PAULO FREIRE



Olá,
Hoje trago um pouquinho de Paulo Freire, retirado do livro PEDAGOGIA DA AUTONOMIA, Capítulo 2. Editora Paz e Terra. É leitura imprescindível para qualquer educador. Dispensa comentários!
Beijos e boa leitura!



ENSINAR EXIGE HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES

Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte. O combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve Ter à identidade do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. “ Não há o que fazer” é o discurso acomodado que não podemos aceitar.
O meu respeito de professor à pessoa do educando, à sua curiosidade, à sua timidez, que não devo agravar com procedimentos inibidores exige de mim o cultivo da humildade e tolerância. Como posso respeitar a curiosidade do educando se, carente de humildade e da real compreensão do papel da ignorância na busca do saber, temo revelar meu desconhecimento? Como ser educador, sobretudo numa perspectiva progressista, sem aprender, com maior ou menor
esforço, a conviver com os diferentes? Como ser educador, se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos educandos com quem me comprometo e ao próprio processo formador de que sou parte? Não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem. Desrespeitado como gente no desprezo a que é relegada a prática pedagógica não tenho por que desamá-la e aos educandos. Não tenho por que exercê-la mal. A minha resposta à ofensa é a luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, aviltá-la com o desdém de mim mesmo e dos educandos.
Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar a nossa atividade docente em puro bico , e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de “tias “ e de “ tios” .
É como profissionais idôneos- na competência que se organiza politicamente está talvez a maior força dos educadores- que eles e elas devem ser-se a si mesmos e a si mesmas. É neste sentido que os órgãos de classe deveriam priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política e repensar a eficácia das greves. A questão que se coloca, obviamente, não é parar de lutar mas, reconhecendo-se que a luta é uma categoria histórica, reinventar a forma também histórica de lutar.

domingo, 11 de maio de 2008

FELIZ DIA DAS MÃES!



Olá,
Hoje trago uma mensagem para todas as mães, neste dia especial. Desconheço a autoria do mesmo. Recebi de uma colega numa folha de papel como uma mensagem. Acho que é um daqueles textos que vão rodando pela internet. Achei lindo! Quem conhecer a fonte, coloquenos comentários.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento!



TODAS AS MÃES
Às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor;
Às Mães que choram, inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos da sociedade violenta em que vivemos;
À Mães jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior.
Às Mães que sacrificaram uma brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos.
Às Mães que, por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;
Às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, que tantas vezes esquecem de si mesmas para cuidar somente dos filhos.
Às Mães solitárias, que não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho.
Às Mães que não tendo dado à luz, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe.
Às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam.
Às Mães, todas, abraços e beijos, cheios de simpatia e de ternura!

Meu carinho, meu abraço.
Beijos,
Eliete.

domingo, 27 de abril de 2008

SEM ESTRESSE...



Olá,
HOje trago um texto de Rubem Alves para ocmeçar a semana sem stress. Até porque esta semana será curta. a fonte do texto é http://www.rubemalves.com.br
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



Estresse é uma palavra usada na física dos materiais. Ela tem a ver com o comportamento dos materiais submetidos à pressão, à distensão, à torção. Aplicada a nós, a palavra estresse revela a nossa condição de seres submetidos às pressões, distensões e torções que as 10.000 coisas nos impõem. Inúteis são as técnicas de relaxamento. Alívio provisório – como os descansos entre duas sessões de tortura. As 10.000 coisas voltam sempre... Só existe uma solução: libertar-nos do domínio das 10.000 coisas... Mas isso é difícil porque elas nos fazem promessas de prazeres no futuro. “Tudo isso te darei...” Somente nos libertamos do estresse quando compreendemos que ele é um sintoma do domínio da morte sobre a nossa vida. A consciência da morte nos faz abrir os olhos. E aí, então, estamos em condições de olhar para dentro, à procura do desejo mais profundo que as 10.000 coisas enterraram. “O que é aquilo que, se eu tivesse, me daria alegria?” Essa é uma pergunta que toda pessoa deveria se fazer diariamente.

domingo, 20 de abril de 2008

SOBRE O ATO DE ESCREVER



Olá,
Hoje trago um texto de Madalena Freire. Retirado e adaptado por mim de: “Observação, registro, reflexão. Instrumentos Metodológicos I. Ed Espaço Pedagógico págs. 38 a 50.” É um excelente texto para um trabalho sobre a importância do registro na educação.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.




SOBRE O ATO DE ESCREVER
(...) Escrever é muito difícil. Compromete mais que falar. Escrever deixa marca, registra pensamento, sonho, desejo de morte e vida. Escrever dá muito trabalho porque organiza e articula o pensamento na busca de conhecer o outro, a si, o mundo. Envolve, exige exercício disciplinado de persistência, resistência, na busca do seu texto verdadeiro, aquele que “o homem escreve com o seu próprio sangue”.

REFLEXÃO E FORMAÇÃO DO EDUCADOR
O ato de refletir é libertador porque instrumentaliza o educador no que ele tem de mais vital: o seu pensar. Educador algum é sujeito de sua prática se não tem apropriado a sua reflexão, o seu pensamento. Não existe ação reflexiva que não leve sempre a constatações, descobertas, reparos, aprofundamento. (...) Na concepção democrática de educação, onde o ato de refletir (apropriação do pensamento) é expressão original de cada sujeito, está implícito que não existe um modelo de reflexão. Cada educador tem sua marca, o seu modo de registrar seu pensamento. O importante é que cada um assuma este seu jeito.
Num primeiro momento a reflexão passa por um período de desintoxicação da visão autoritária que cada um viveu em relação à linguagem escrita. A constatação é :“escrevo sem pensar” , “não consigo escrever e refletir”. É como se pensamento e linguagem escrita caminhassem dissociados. Conquista-se nesse momento, um redimensionamento da linguagem oral e escrita. Esse movimento pode variar de intensidade e duração.
Num segundo momento, o importante é que a reflexão seja um instrumento dinamizador entre prática e teoria. O crucial é fazer com que a reflexão nos conduza à ação transformadora, que nos comprometa com nossos desejos, nossas opções, nossa história.

IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DO REGISTRO ESCRITO
Mediados pelo registro deixamos nossa marca no mundo. Há muitos tipos de registros, em linguagens verbais e não verbais. Todos, quando socializados, historificam a existência social do indivíduo. Ainda mediados por nossos registros, tecemos o processo de apropriação de nossa história, a nível individual e coletivo.
A criança tem seu espaço de registro, reflexão, concretização de seu pensamento, no desenho, no jogo e na construção de sua escrita. Esta tarefa formaliza, dá forma, comunica o que pensa, para refletir, rever, revisar, aprofundar, construir o que ainda não conhece: o que necessita aprender.
A escrita materializa, dá concretude ao pensamento, dando condições assim de voltar ao passado, enquanto se está construindo a marca do presente. Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder pensá-lo e apreendê-lo, construindo o conhecimento antes ignorado.
O registro escrito obriga o exercício de ações – operações mentais de classificação, ordenação, análise, obriga a objetivar e sintetizar, trabalhar a construção da estrutura do texto,a construção do pensamento. Somente nesse exercício disciplinado, cotidiano, solitário (mas povoado de interlocutores) do escrever, pode-se evitar, lutar contra a “vagabundagem do pensamento”. A escrita disciplina o pensamento para a construção do conhecimento e do processo de autoria. Uma coisa é ser escrito-reprodutor e reapresentador da linguagem escrita. Outra é, no exercício disciplinado do escrever, tornar-se escritor-sujeito-produtor de linguagem escrita.
A reflexão, o registro do pensamento envolve a todos: crianças, professores, educadores.... Cada um no seu espaço diferenciado, pensa, escreve a prática e faz teoria, onde o registro da reflexão, concretização do pensamento, é seu principal instrumento na construção da mudança e apropriação de sua história.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A PRÉ-ESCOLA É ESCOLA!



Olá,
Hoje trago um texto que é um recorte retirado de “A pré-escola em Angra dos Reis: tecendo um projeto de Educação Infantil”. In: A formação da professora alfabetizadora: reflexões sobre a prática. Organização de Regina Leite Garcia. Ed. Cortez. 3ª edição). O livro tem outros artigos interesantes sobre alfabetização e sobre formação.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


Os dez mandamentos da pré-escola:
1)A criança é um sujeito interativo que aprende mediante a interação com o outro (outras crianças e/ou adultos)
2)A criança constrói conhecimentos num movimento que vai do coletivo (social/interação com o outro) para o individual (toda síntese individual “carrega” as experiências construídas coletivamente).
3)Os conteúdos trabalhados precisam ser significativos e fazer sentido para as crianças e professores. Precisam estar interligados com o que acontece dentro e fora da escola.
4)As atividades precisam ser instigantes para as crianças. Precisam ter problemas a resolver e decisões a tomar. Precisam possibilitar que as crianças avancem na construção e apropriação de novos conhecimentos.
5)O erro deve ser encarado como possibilidade do acerto, O “ainda não saber” deve ser transformado em “saber”.
6)A pré-escola pode e deve ser um ambiente alfabetizador onde as crianças, desde muito cedo, possam construir e testar hipóteses sobre a linguagem escrita.
7)A pré-escola deve garantir às crianças a possibilidade de lidar, de usar diferentes linguagens: corporal, musical, plástica, gráfica, escrita, televisiva etc.
8)O professor precisa ser sujeito do seu fazer pedagógico. Precisa ter a coragem de ousar e de criar, pois só assim verá os seus alunos como sujeitos do seu aprendizado.
9)O prazer em ensinar e aprender precisa estar presente no dia-a-dia das nossas pré-escolas.
10)A pré-escola é um espaço de construção de conhecimentos. Não é um espaço de preparação para a escola. A PRÉ-ESCOLA É ESCOLA!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

2008...DEMOROU, MAS COMEÇOU!



Olá,
A organizadora do blog coletânea de textos está de volta depois de um breve período sem postagens. Muitos compromissos nos três primeiros meses do ano impediram maior dedicação. Mas agora tudo voltou ao normal.
Para começar,uma mensagem sobre as vantagens de compartilhar as coisas boas.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



MILHO BOM

Esta é a história de um fazendeiro bem sucedido.
Ano após ano, ele ganhava o Troféu Milho Gigante da feira da agricultura do município. Entrava com seu milho na feira e saía com a faixa azul recobrindo seu peito.
E o seu milho era cada vez melhor!
Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal, ao abordá-lo após a já tradicional colocação da faixa, ficou intrigado com a informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto.
O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do seu milho gigante com os vizinhos.
__Como pode o senhor dispor-se a compartilhar sua melhor semente com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano? – indagou o repórter.

O fazendeiro pensou por um instante, e respondeu:
__Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quiser cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.


Ele era atento às conectividades da vida. O milho dele não poderia melhorar se o milho do vizinho também não tivesse a qualidade melhorada. Assim acontece também em outras dimensões da nossa vida. Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. O bem estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.