domingo, 27 de abril de 2008

SEM ESTRESSE...



Olá,
HOje trago um texto de Rubem Alves para ocmeçar a semana sem stress. Até porque esta semana será curta. a fonte do texto é http://www.rubemalves.com.br
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



Estresse é uma palavra usada na física dos materiais. Ela tem a ver com o comportamento dos materiais submetidos à pressão, à distensão, à torção. Aplicada a nós, a palavra estresse revela a nossa condição de seres submetidos às pressões, distensões e torções que as 10.000 coisas nos impõem. Inúteis são as técnicas de relaxamento. Alívio provisório – como os descansos entre duas sessões de tortura. As 10.000 coisas voltam sempre... Só existe uma solução: libertar-nos do domínio das 10.000 coisas... Mas isso é difícil porque elas nos fazem promessas de prazeres no futuro. “Tudo isso te darei...” Somente nos libertamos do estresse quando compreendemos que ele é um sintoma do domínio da morte sobre a nossa vida. A consciência da morte nos faz abrir os olhos. E aí, então, estamos em condições de olhar para dentro, à procura do desejo mais profundo que as 10.000 coisas enterraram. “O que é aquilo que, se eu tivesse, me daria alegria?” Essa é uma pergunta que toda pessoa deveria se fazer diariamente.

domingo, 20 de abril de 2008

SOBRE O ATO DE ESCREVER



Olá,
Hoje trago um texto de Madalena Freire. Retirado e adaptado por mim de: “Observação, registro, reflexão. Instrumentos Metodológicos I. Ed Espaço Pedagógico págs. 38 a 50.” É um excelente texto para um trabalho sobre a importância do registro na educação.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.




SOBRE O ATO DE ESCREVER
(...) Escrever é muito difícil. Compromete mais que falar. Escrever deixa marca, registra pensamento, sonho, desejo de morte e vida. Escrever dá muito trabalho porque organiza e articula o pensamento na busca de conhecer o outro, a si, o mundo. Envolve, exige exercício disciplinado de persistência, resistência, na busca do seu texto verdadeiro, aquele que “o homem escreve com o seu próprio sangue”.

REFLEXÃO E FORMAÇÃO DO EDUCADOR
O ato de refletir é libertador porque instrumentaliza o educador no que ele tem de mais vital: o seu pensar. Educador algum é sujeito de sua prática se não tem apropriado a sua reflexão, o seu pensamento. Não existe ação reflexiva que não leve sempre a constatações, descobertas, reparos, aprofundamento. (...) Na concepção democrática de educação, onde o ato de refletir (apropriação do pensamento) é expressão original de cada sujeito, está implícito que não existe um modelo de reflexão. Cada educador tem sua marca, o seu modo de registrar seu pensamento. O importante é que cada um assuma este seu jeito.
Num primeiro momento a reflexão passa por um período de desintoxicação da visão autoritária que cada um viveu em relação à linguagem escrita. A constatação é :“escrevo sem pensar” , “não consigo escrever e refletir”. É como se pensamento e linguagem escrita caminhassem dissociados. Conquista-se nesse momento, um redimensionamento da linguagem oral e escrita. Esse movimento pode variar de intensidade e duração.
Num segundo momento, o importante é que a reflexão seja um instrumento dinamizador entre prática e teoria. O crucial é fazer com que a reflexão nos conduza à ação transformadora, que nos comprometa com nossos desejos, nossas opções, nossa história.

IMPORTÂNCIA E FUNÇÃO DO REGISTRO ESCRITO
Mediados pelo registro deixamos nossa marca no mundo. Há muitos tipos de registros, em linguagens verbais e não verbais. Todos, quando socializados, historificam a existência social do indivíduo. Ainda mediados por nossos registros, tecemos o processo de apropriação de nossa história, a nível individual e coletivo.
A criança tem seu espaço de registro, reflexão, concretização de seu pensamento, no desenho, no jogo e na construção de sua escrita. Esta tarefa formaliza, dá forma, comunica o que pensa, para refletir, rever, revisar, aprofundar, construir o que ainda não conhece: o que necessita aprender.
A escrita materializa, dá concretude ao pensamento, dando condições assim de voltar ao passado, enquanto se está construindo a marca do presente. Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder pensá-lo e apreendê-lo, construindo o conhecimento antes ignorado.
O registro escrito obriga o exercício de ações – operações mentais de classificação, ordenação, análise, obriga a objetivar e sintetizar, trabalhar a construção da estrutura do texto,a construção do pensamento. Somente nesse exercício disciplinado, cotidiano, solitário (mas povoado de interlocutores) do escrever, pode-se evitar, lutar contra a “vagabundagem do pensamento”. A escrita disciplina o pensamento para a construção do conhecimento e do processo de autoria. Uma coisa é ser escrito-reprodutor e reapresentador da linguagem escrita. Outra é, no exercício disciplinado do escrever, tornar-se escritor-sujeito-produtor de linguagem escrita.
A reflexão, o registro do pensamento envolve a todos: crianças, professores, educadores.... Cada um no seu espaço diferenciado, pensa, escreve a prática e faz teoria, onde o registro da reflexão, concretização do pensamento, é seu principal instrumento na construção da mudança e apropriação de sua história.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A PRÉ-ESCOLA É ESCOLA!



Olá,
Hoje trago um texto que é um recorte retirado de “A pré-escola em Angra dos Reis: tecendo um projeto de Educação Infantil”. In: A formação da professora alfabetizadora: reflexões sobre a prática. Organização de Regina Leite Garcia. Ed. Cortez. 3ª edição). O livro tem outros artigos interesantes sobre alfabetização e sobre formação.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


Os dez mandamentos da pré-escola:
1)A criança é um sujeito interativo que aprende mediante a interação com o outro (outras crianças e/ou adultos)
2)A criança constrói conhecimentos num movimento que vai do coletivo (social/interação com o outro) para o individual (toda síntese individual “carrega” as experiências construídas coletivamente).
3)Os conteúdos trabalhados precisam ser significativos e fazer sentido para as crianças e professores. Precisam estar interligados com o que acontece dentro e fora da escola.
4)As atividades precisam ser instigantes para as crianças. Precisam ter problemas a resolver e decisões a tomar. Precisam possibilitar que as crianças avancem na construção e apropriação de novos conhecimentos.
5)O erro deve ser encarado como possibilidade do acerto, O “ainda não saber” deve ser transformado em “saber”.
6)A pré-escola pode e deve ser um ambiente alfabetizador onde as crianças, desde muito cedo, possam construir e testar hipóteses sobre a linguagem escrita.
7)A pré-escola deve garantir às crianças a possibilidade de lidar, de usar diferentes linguagens: corporal, musical, plástica, gráfica, escrita, televisiva etc.
8)O professor precisa ser sujeito do seu fazer pedagógico. Precisa ter a coragem de ousar e de criar, pois só assim verá os seus alunos como sujeitos do seu aprendizado.
9)O prazer em ensinar e aprender precisa estar presente no dia-a-dia das nossas pré-escolas.
10)A pré-escola é um espaço de construção de conhecimentos. Não é um espaço de preparação para a escola. A PRÉ-ESCOLA É ESCOLA!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

2008...DEMOROU, MAS COMEÇOU!



Olá,
A organizadora do blog coletânea de textos está de volta depois de um breve período sem postagens. Muitos compromissos nos três primeiros meses do ano impediram maior dedicação. Mas agora tudo voltou ao normal.
Para começar,uma mensagem sobre as vantagens de compartilhar as coisas boas.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento.



MILHO BOM

Esta é a história de um fazendeiro bem sucedido.
Ano após ano, ele ganhava o Troféu Milho Gigante da feira da agricultura do município. Entrava com seu milho na feira e saía com a faixa azul recobrindo seu peito.
E o seu milho era cada vez melhor!
Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal, ao abordá-lo após a já tradicional colocação da faixa, ficou intrigado com a informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto.
O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do seu milho gigante com os vizinhos.
__Como pode o senhor dispor-se a compartilhar sua melhor semente com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano? – indagou o repórter.

O fazendeiro pensou por um instante, e respondeu:
__Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quiser cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.


Ele era atento às conectividades da vida. O milho dele não poderia melhorar se o milho do vizinho também não tivesse a qualidade melhorada. Assim acontece também em outras dimensões da nossa vida. Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. O bem estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.