quarta-feira, 14 de maio de 2008

GLOBALIZAÇÃO



Olá,
Hoje trago um texto do italiano Domenico De Masi sobre GLOBALIZAÇÃO. O texto está na íntegra e foi retirado do livro "O ócio criativo", Rio de Janeiro: Sextante, 2000, páginas 133 a 135. Neste trecho do livro o autor faz um resumo sobre os valores que caracterizam a sociedade pós-industrial. O livro é muito interessante para a refletir sobre temas como industrialização, globalização, sociedade industrial, sociedade moderna e pós-moderna, tecnologias, criatividade, entre outros. Vale a pena comprar o livro!
Beijos e boa leitura!


É sabido que, quando se atira uma pedra num lago, se obtém uma série de ondas concêntricas que se propagam, de forma contínua, por toda a superfície aquática. Do mesmo modo, graças ao progresso tecnológico, o nosso planeta tornou-se hoje como um pequeno lago, onde cada onda atinge e envolve rapidamente até os cantos mais remotos.
Se um avião sofre um atraso na rota Tóquio-Moscou, isto gera repercussões e distúrbios em todos os aeroportos do mundo. Se as ações da IBM sofrem algum tipo de inflexão na Bolsa de Milão, este fato atingirá Wall Street imediatamente. Globalização é isso: o globo, agora é uma grande aldeia.
Em outros tempos, a construção de um carro pela Fiat não ultrapassava os muros de sua própria fábrica. Hoje, cada um de seus carros contém pelo menos doze mil peças, das quais só duas mil são produzidas pela Fiat. Outras duas mil são compradas na Itália, e as oito mil peças restante compradas em outros países da Europa e fora dela. *
A miniaturização dos componentes e a melhora dos transportes incrementam esta troca permanente, pela qual cada objeto, seja uma simples caneta ou relógio, contém partes que provêm de vários continentes.
São globalizados: os meios de comunicação de massa, a ciência, o dinheiro, a cultura. Todos os telejornais contém notícias, imagens e vozes reunidas e transmitidas de todo o mundo, em tempo real. Cada laboratório científico mantém contato e troca de informações com outros laboratórios. Igualmente globalizados são os mercados monetários: as empresas mudam rapidamente de proprietários, com a simples passagem dos pacotes de ações deuma mão à outra. Somente no mercado de Londres são negociados 75 trilhões de dólares por ano, igual a 25 vezes o valor de todos os bens que o mundo inteiro produz neste mesmo intervalo de tempo.
A vida inteira é globalizada: o mundo inteiro escuta as mesmas canções, assistem aos mesmos filmes, usa os mesmos objetos e tendo aos mesmos costumes. A cadeia McDonald's vende 15 milhões de hambúrgueres por dia, todos iguais, nas suas dezesseis mil lanchonetes espalhadas por 83 países. O vinho Chianti vende 128 milhões e 300 mil garrafas por ano. A Coca-Cola vende 32 milhões de garrafas por hora.
Das pelo menos 20.000 línguas que existiam, atualmente parece que sobrevivem apenas 7.000, e além disso, entre essas criou-se uma nova hierarquia. O inglês e o espanhol são falados por vários bilhões de pessoas, tornando-se indispensáveis à comunicação entre os povos.
E a internet é um passo a mais nesta direção: quem não sabe inglês não pode navegar na rede.(ou navega com limitações**)
Já no passado, ocorreu algo parecido com o latim, língua oficial do Império Romano e depois da Igreja. Logo, era uma língua falada por todas as elites. Porém, justamente, tratava-se de elites, não de massas informadas pela mídia e pela internet.
Hoje, em qualquer parte do mundo onde se tome um táxi, escuta-se no rádio rock americano. Estive recentemente em Manaus e em outras áreas da Amazônia: também ali encontrei a mesma Coca-Cola, os mesmos guias turísticos, os mesmos telejornais de todo o resto do mundo.
Os antropólogos, os maiores especialistas no assunto, nos advertem contra os perigos irreparáveis desse achatamento global.

*Eu acrescentaria questões associadas aos custos da mão-de-obra, muito mais baratas em alguns países do que em outros.
**Nota da Eliete.

terça-feira, 13 de maio de 2008

PAULO FREIRE



Olá,
Hoje trago um pouquinho de Paulo Freire, retirado do livro PEDAGOGIA DA AUTONOMIA, Capítulo 2. Editora Paz e Terra. É leitura imprescindível para qualquer educador. Dispensa comentários!
Beijos e boa leitura!



ENSINAR EXIGE HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES

Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte. O combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve Ter à identidade do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. “ Não há o que fazer” é o discurso acomodado que não podemos aceitar.
O meu respeito de professor à pessoa do educando, à sua curiosidade, à sua timidez, que não devo agravar com procedimentos inibidores exige de mim o cultivo da humildade e tolerância. Como posso respeitar a curiosidade do educando se, carente de humildade e da real compreensão do papel da ignorância na busca do saber, temo revelar meu desconhecimento? Como ser educador, sobretudo numa perspectiva progressista, sem aprender, com maior ou menor
esforço, a conviver com os diferentes? Como ser educador, se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos educandos com quem me comprometo e ao próprio processo formador de que sou parte? Não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem. Desrespeitado como gente no desprezo a que é relegada a prática pedagógica não tenho por que desamá-la e aos educandos. Não tenho por que exercê-la mal. A minha resposta à ofensa é a luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, aviltá-la com o desdém de mim mesmo e dos educandos.
Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar a nossa atividade docente em puro bico , e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de “tias “ e de “ tios” .
É como profissionais idôneos- na competência que se organiza politicamente está talvez a maior força dos educadores- que eles e elas devem ser-se a si mesmos e a si mesmas. É neste sentido que os órgãos de classe deveriam priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política e repensar a eficácia das greves. A questão que se coloca, obviamente, não é parar de lutar mas, reconhecendo-se que a luta é uma categoria histórica, reinventar a forma também histórica de lutar.

domingo, 11 de maio de 2008

FELIZ DIA DAS MÃES!



Olá,
Hoje trago uma mensagem para todas as mães, neste dia especial. Desconheço a autoria do mesmo. Recebi de uma colega numa folha de papel como uma mensagem. Acho que é um daqueles textos que vão rodando pela internet. Achei lindo! Quem conhecer a fonte, coloquenos comentários.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento!



TODAS AS MÃES
Às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor;
Às Mães que choram, inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos da sociedade violenta em que vivemos;
À Mães jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior.
Às Mães que sacrificaram uma brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos.
Às Mães que, por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;
Às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, que tantas vezes esquecem de si mesmas para cuidar somente dos filhos.
Às Mães solitárias, que não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho.
Às Mães que não tendo dado à luz, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe.
Às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam.
Às Mães, todas, abraços e beijos, cheios de simpatia e de ternura!

Meu carinho, meu abraço.
Beijos,
Eliete.