terça-feira, 28 de outubro de 2008

escola nova



Olá,
Hoje trago um trecho do Manifesto Escola Nova. Como vencedora 2 anos seguidos do concurso de monografias do Prêmio Anísio Teixeira, realizado pelo Centro de Referência da Educação Pública, considero seus ideais atualíssimos.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento.



"(...) a educação que, no final de contas, se resume logicamente numa reforma social, não pode, ao menos em grande proporção, realizar-se senão pela ação extensa e intensiva da escola sobre o indivíduo e deste sobre si mesmo nem produzir-se, do ponto de vista das influências exteriores, senão por uma evolução contínua, favorecida e estimulada por todas as forças organizadas de cultura e de educação. As surpresas e os golpes de teatro são impotentes para modificarem o estado psicológico e moral de um povo. É preciso, porém, atacar essa obra, por um plano integral, para que ela não se arrisque um dia a ficar no estado fragmentário, semelhante a essas muralhas pelágicas, inacabadas, cujos blocos enormes, esparsos ao longe sobre o solo, testemunham gigantes que os levantaram, e que a morte surpreendeu antes do cortamento de seus esforços... (...)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

LICENÇA POÉTICA


Olá,
Hoje trago um texto de Adélia Prado sobre a arte de escrever. Foi retirado do site www.releituras.com.br.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento






Com licença poética]

(Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.