terça-feira, 4 de agosto de 2009

REFLETINDO...





Olá,
Hoje trago um texto de Mirian Celeste Martins. O texto completo está no site do Espaço Pedagógico (leia-se Madalena Freire). Nesta época de recomeço, vale a pena repensar nosso papel como educadoras. A reflexão é muito útil, principalmente para quem está na coordenação, como eu, ou na direção. O endereço para ler o texto completo está aqui: http://www.pedagogico.com.br/edicoes/11/artigo2344-1.asp?o=r

Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



"Sobre cigarras e formigas

Mirian Celeste Martins

Início ou reinício...

Mesmo que nunca abandonemos a nossa atitude educadora incorporada à nossa pele, é com a volta às aulas, que questões ficam girando...
Olho para os meus alunos (ou para meus professores, se tenho um cargo de coordenação/direção) como velhos conhecidos? Ou visto um olhar de estranhamento para que possa investigar se as férias trouxeram outras oportunidades de estarem presentes no mundo? Por onde terão andado? O que terão visto, ouvido, assistido, vivido?
Olho para os conteúdos planejados e me pergunto como vou introduzi-los? Uso as estratégias do "livro" ou aquelas já utilizadas em minha prática ou permito que um "estado de dúvida" me inquiete, me tire o sono, me deixe sem saber exatamente como vou aquecê-los para o trabalho?
Olho para mim mesma e me pergunto o que ainda desejaria saber sobre os conteúdos que serão trabalhados ou como transpô-los didaticamente para a sala de aula? Coloco em mim um olhar de cientista que indaga os "porquês"? Contextualizo esses conhecimentos como "patrimônios da história do ser humano", buscando links com meu próprio conhecimento, com o que acontece no mundo de hoje?
Olho para os diferentes grupos com os quais compartilho o meu trabalho - meus alunos, meus colegas educadores, os funcionários da escola, os pais, e também os amigos ou assessores que compartilham a experiência de educar? Como vivo em grupo? Sei usufruir dos benefícios da troca, das discussões que problematizam? Sou generosa e compartilho o que ando pensando, as idéias que agora eu tenho? Ou quero provar primeiro para mostrar os resultados depois?
No cotidiano de nossa ação como educadores, talvez essas perguntas não sejam tão conscientes. Mas o modo com as respondemos se revela na maneira como enfrentamos cada dia. Somos formigas, cigarras ou cigarraformigas?"

domingo, 2 de agosto de 2009

GARCIA MARQUEZ E LEITURA NA ESCOLA



Olá,
Hoje trago um trechinho de Gabriel Garcia Marquez, “Sobre como os professores de literatura pervertem a seus alunos” in: Caras e Cartas (tradução de uma nota publicada na revista brasileira Status Plus nº 90, jan. 1983). Este trecho está inserido como citação no artigo da Délia Lerner intitulado "É possível ler na escola?" que faz parte do Programa de formação de professores alfabetizadores, do MEC. Para acessar o texto da Délia Lerner e outros artigos MUITO BONS, segue o endereço do site do MEC http://www.portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Profa/col_2.pdf.
Vale a pena conferir o arquivo do MEC, tem excelentes textos, sugestões de atividades para estudo do professor e para trabalho com as crianças e MUITAS reflexões sobre alfabetização, leitura e escrita. Está em pdf, o que significa que você deve ter o adobe instalado.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento



Gabriel García Márquez

“Tenho um grande respeito, e sobretudo um grande carinho pelo ofício de professor e, por isso mesmo, me reconforta saber que eles também são vítimas de um sistema de ensino que os induz a dizer bestialidades. Uma das pessoas inesquecíveis da minha vida é a professora que me ensinou a ler, aos cinco anos. Era uma moça bonita e sábia, que não pretendia saber mais do que podia, e era tão jovem que com o tempo acabou sendo mais jovem que eu. Era ela que nos lia, na aula, os primeiros poemas.
Recordo com a mesma gratidão o professor de literatura do colegial, um homem modesto e prudente que nos conduzia pelo labirinto dos bons livros sem interpretações rebuscadas. Esse método possibilitava a seus alunos uma participação mais pessoal e livre no milagre da poesia. Em síntese, um curso de literatura não deveria ser mais que um bom guia de leituras. Qualquer outra pretensão não serve para nada mais além de assustar as crianças. Penso eu, cá entre nós.”