quarta-feira, 21 de abril de 2010

PROFESSORA E MÃE: DA PRÉ-ESCOLA AO ENSINO MÉDIO


Olá,
O texto de hoje é sobre ser professora de educação infantil e mãe de adolescente. Se você conhece alguém nesta situação, indique este texto, já!
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento





Professora de educação infantil e mãe de adolescente! Dá para conciliar as duas coisas sem enlouquecer?
Tem gente que tenta...
Às vezes é preciso sair do “normal” para conseguir resultados com os filhos adolescentes em casa e com as crianças pequenas na escola. Com as crianças talvez seja mais fácil, não por serem pequenas, pois mesmo as pequenas desafiam o adulto todo o tempo. Mas a professora sai na vantagem: não é a mesma natureza da relação de mãe, não existe a intimidade sentimental que se tem com mãe. A escola que investe no ambiente escolar faz com que a criança goste de ir para a escola. Ponto para a professora, que tem parte de seu trabalho facilitado. Na escola de educação infantil brincadeira e aprendizagens rodam de mãos dadas, como numa autêntica ciranda. As brincadeiras fora da escola não se distanciam muito das brincadeiras organizadas dentro do ambiente escolar. Por vezes surgem perguntas tipo: “tia, como é que a árvore sabe que está na hora de dar frutas?”
E o adolescente? Aí a coisa muda de figura! Ensino médio, preparação para o vestibular. Não tem brincadeira, nem ciranda, nem mãos dadas. É cada um por si, na corrida para garantir vaga nas melhores universidades do país. Você pode até discordar, do vestibular, do sistema, do Enem, disso tudo, mas é assim na maioria das escolas. Nessa corrida, intensificar os estudos é de praxe. As mães enlouquecem: estabelecem hora certa de estudos, confiscam computador, limitam chamadas telefônicas, ou podem até mesmo dar uma de maluca, como essa mãe abaixo:

Sentada à mesa da sala, a mãe cutuca a filha que está sentada ao seu lado usando o computador, (claro!) e em tom solene anuncia:
___ Vou tirar você da escola!
___ O quê?!__ vira-se para a mãe, tirando o fone do ouvido.
___ Vou tirar você da escola!
___ Trocar de escola agora, quase no meio do terceiro ano? Você tá louca, mãe? E os meus amigos? Que bizarro...
___ Eu não falei que vou “trocar você de escola”, eu falei que vou TIRAR você da escola!
___ E eu posso saber por quê dessa maluquice? __ tom de deboche, tipicamente adolescente.
A mãe responde imitando o mesmo tom, tipicamente mãe de adolescente:
__ Ora, minha filha, você está com pouco tempo para a escola, afinal, você tem passado mais tempo na internet, MSN, vídeos do Youtube, sem contar a TV, os Telecines, a Fox, a MTV, o Multishow, a Warner, o namorado, o play station, o cinema, o shopping...não sobra tempo para a escola! E é uma concorrência desleal! Podemos economizar esta grana mensalmente... veja só... ___ e levanta para pegar a calculadora e mostrar o gasto diário, semanal, mensal, anual , etc, ante a cara estupefata da adolescente.

A estratégia, pelo menos neste caso , funcionou. Mas não funciona sozinha, neste caso foi pretexto para abrir uma conversa mais adulta com o adolescente. Às vezes é preciso uma abordagem inicial “assim tipo tenso, bizarro, sinistro” * depois relaxa e deixa a conversa fluir, que é possível conversar sem enlouquecer. E o mais importante: a mãe que fez isso costuma cumprir as promessas que faz!
*Tenso, bizarro e sinistro são gírias para a mesma situação.
Eliete Nascimento

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SOLIDARIEDADE



Olá,
Hoje falo sobre solidariedade e renovação.
Beijos e boa leitura.
Eliete Nascimento


Solidariedade

Palavra muito usada no contexto atual. O bom das palavras é que podemos usar muitas vezes e elas não acabam. Algumas palavras ficam em evidência ou na moda por uns tempos, principalmente quando é pronunciada por uma celebridade, seja ela celebridade de verdade ou uma dessas celebridades instantâneas produzidas pela sociedade atual. O fato é que SOLIDARIEDADE não precisa de moda para que seu significado seja sentido na pele, literalmente na pele, daqueles que precisam. As chuvas no Rio de Janeiro causaram impacto social, físico, emocional... As cenas que assistimos foram dolorosas, tristes. É preciso respirar fundo para se recompor.
No local em que trabalho a água invadiu todos os espaços que encontrou: salas, peças dos jogos de montar, frestas dos armários; arrebataram Barbies e Suzies, bonecos e bonecas, robôs, dinossauros , carrinhos, bloquinhos, legos, dominós e panelinhas. Derrubou mesas e cadeiras; se embrenhou nas espumas dos colchonetes que serviam ao sagrado descanso das crianças depois do almoço. A água com toda a sua força e potência inundou instrumentos musicais e fantasias, derrubou a parede de um castelo, arrebentou parte de um teatro; molhou irremediavelmente trabalhos feitos com carinho e que não se encontram à venda para que possamos repor. A água, impiedosamente, varreu a escola.
Restou lama, lamentos, braços fortes e solidariedade. Os lamentos cederam lugar aos braços fortes, que aos poucos estão retirando a lama de todos os lugares por onde passou. A solidariedade estamos sentindo nas pessoas que estão doando brinquedos, jogos, livros e muitas outras coisas. A cada doação recebida, principalmente brinquedos e livros, mando mensagem para a equipe. A solidariedade dos outros ajuda na renovação material e também nos ajuda e renovar energia, capacidade de luta, e principalmente, na fé que temos no ser humano.
Eliete Nascimento

terça-feira, 6 de abril de 2010

MEDO DE CHUVA



Olá,
Por motivos circunstanciais o texto fala sobre chuva...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento




MEDO DE CHUVA

Completamente ilhada pela água da chuva, hoje, como todo o carioca, amanheci sitiada. Esperto é o meu gato Domenico, que sábia e naturalmente já nasceu com medo de chuva. Se pudesse falar ele me diria: “Está vendo o que essa tal de água faz? Eu não te falei? “ As águas simplesmente invadiram tudo. O Rio virou um grande rio. O bairro onde moro, Maracanã, foi tomado pelo rio de mesmo nome. A janela do apartamento é o meu termômetro para saber se já posso ir à rua e arriscar chegar no trabalho. Ainda não dá para ver o asfalto, é só água. Na expectativa, e com medo de banho frio, pois estamos sem gás no prédio, escrevo. Enquanto isso Domenico, o gato, exercita o hábito saudável de dormir muitas e muitas horas diárias. Conheço gente que tem medo de escuro, medo de lobisomem, medo de ser assaltado, medo de avião e agora no Rio inauguramos uma nova categoria, medo de chuva! A chuva que cai desde ontem traz águas do céu, do chão, enfim, vem água de todos os lados! As cenas de ontem impressionaram: gente com medo de altura abrigada em cima de passarelas; alguns presos em carros que bóiam. O lado pior está na calamidade que este tipo de chuva traz: mortes, deslisamentos e a certeza de que a cidade está despreparada para situações desta natureza. Que sirva de alerta para nossos governantes. Resta-nos apelar para os desígnios religiosos: rezar para a chuva passar logo e a cidade voltar ao normal, linda, luminosa, com o sol a brilhar.
Eliete Nascimento

domingo, 4 de abril de 2010

POR QUE AS FÉRIAS ACABAM



Olá,
Neste pós férias de 2010 resolvi inaugurar nova fase do blog: meus próprios textos. Por isso, fica um convite para visitar sempre o blog Coletânea de Textos, que tem sido fonte de armazenamento e consulta para diversos assuntos como educação, saúde, vida, humor e outros variados. Sempre pego textos de outras fontes, com os devidos créditos e agora resolvi praticar mais uma coisa que gosto muito: escrever. A imagem acima é de Arraial d'Ajuda, by Elissa Pereira.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


“Por que as férias acabam?
As férias acabam para que possamos sentir gostinho do trabalho e quem sabe assim valorizar mais ainda cada pedacinho das férias. Ficar eternamente de férias não tem graça, vira aposentadoria. As férias acabam porque tudo o que é bom acaba, ou no mínimo, se transforma em outra coisa. Vou olhar por esta ótica e dizer por aí que minhas férias não acabaram: se transformaram em dias úteis.
Ah, que saudade dos dias “inúteis”. Aliás, vou procurar saber quem inventou este termo “dias úteis”... Nos últimos dias me dediquei com afinco a “imprestabilidade”. Sabe aquela cena de cunhado desempregado sentado no sofá da sala, sem fazer nada o dia inteiro, zapeando a tv? Imaginou? Sempre tem alguém para falar “ aquele imprestável, não troca nem uma lâmpada”. Pois eu me dediquei a ser imprestável. Pelo menos por uns dias... Segundo a minha filha eu desconheço a expressão “ficar quieta”. Sou daquelas que quando parece estar quieta, pode procurar que estou balançando o pezinho, batendo com a ponta da caneta em algum lugar ou rabiscando algo, já risquei até documento importante enquanto falava ao telefone!
Minha mãe dizia que era “bicho carpinteiro”. Fosse bicho carpinteiro ou bicho no corpo inteiro o certo é que revendo antiga foto de infância lá estava a irrefutável prova: não há uma foto em que eu estivesse quieta, olhando para o fotógrafo como as outras crianças, sempre tinha uma mão esticada, uma perna fora do lugar, um olhar que ia além do fotografo, parecendo querer sair daquele lugar comum. Em dias atuais minha mãe chegaria na escola e calmamente diria: “professora, minha filha é hiperativa!”
Mas voltando às férias e a sua imprestabilidade, me dediquei no início das férias a viajar e, este meu jeito de “não para quieta um minuto” ajuda muito nesta hora, porque pessoas assim aproveitam o máximo, perguntam tudo e a todos, descobrem lugares além dos lugares-onde-todo-turista-vai etc. E voltei com o intuito sério de não fazer nada! Para não ser imprestável com toda a minha alma, salvei-a depois que voltei da Bahia com alguns esporádicos e pequenos hobies: ver filmes e anotar diálogos ou frases que gosto, ler, escrever, costurar coisinhas para a casa, organizar fotolivros (peguei esta mania, depois escrevo sobre isto!) , experimentar novos games e programinhas que baixei da internet. Fiz compras e almocei num shopping às 3 da tarde em pleno dia útil, passeei com a família, enfim, fiz coisas que gosto. Não vou dizer que caminhei, fiz ginástica, pedalei porque não fiz estas promessas de ano novo, estou com a consciência limpa! Conclusão: me dediquei a ser imprestável, no melhor sentido do termo, a ficar quieta, parecendo um lagarto baiano, lendo, esperando o dia passar...E olha que este aprendizado exigiu muita dedicação de minha parte... Agora que consegui me tornar uma expert no assunto está na hora de voltar a trabalhar!
Este mundo é mesmo injusto!
Eliete Nascimento