sábado, 29 de maio de 2010

TRABALHAR COM CRIANÇA É MUITO BOM!











Olá,
Hoje trago um texto sobre as crianças e aquilo que elas falam. Coisinhas colhidas no dia a dia com os pequeninos.
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento





Trabalho numa escola grande com muitas crianças pequenas.
Lá, tem sempre muito trabalho. Todo dia aparece criança que tem uma dorzinha de barriga, criança que tem febre, criança de tudo que é jeito.
Crianças são alegres, são falantes. Por vezes suas falas são também engraçadas e quebram a rotina do dia.
Quem não esta habituado me diz: “como você consegue trabalhar com este barulho de crianças o tempo todo?” Como resposta basta um sorriso...
Um dia de silêncio pode ser revelador: se a escola está sem nenhum barulho, muito silenciosa... ou não tem aula ou é sinal de que alguma coisa está muito errada! Afinal, criança fala, canta, joga, grita, imita bichos, imita gente, conversa, sussurra...

Quando não conhece ou não entende alguma coisa a criança inventa, fala do seu jeitinho, mas sempre dá o seu recado:

1)Num dia desses um menino chegou na secretaria segurando o outro pelo braço, assim como quem está amparando e me diz:
__ A tia pediu para você ver a “altura” dele.
Olhei para ele e perguntei sério:
__A “altura”? Para quê? (já havia percebido que o outro aparentava estar doente).
__ É para ver se ele tá com febre! (claro, era temperatura...)


2)Uma menina voltou de uma viagem que fez com os pais ao Ceará e falou para a Diretora:
__Eu tomei banho de “açu”... (era açude).


3)Um dia uma criança chega na secretaria e fala num tom solene:
__ A minha professora está pedindo o “caderno redondo”.
Silêncio. Uma diretora olha para a cara da outra. O que seria isso? A tecla SAP acende: era o caderno circular, o caderno em que os avisos são passados!


4) Ao me ver usando a minha mesa que fica na secretaria da escola uma criança falou:
__ Você trabalha aqui neste escritório?


5) Eu estava numa turma substituindo uma professora. Auxiliei um grupo de meninas a montar o quebra-cabeças das Princesas, depois tirei fotos quando elas conseguiram montar sozinhas. Uma delas virou para outra e disse:
__ Ela gosta da gente, né?


Estes são alguns momentos que nos fazem lembrar que
TRABALHAR COM CRIANÇA É MUITO BOM!
Eliete Nascimento

domingo, 16 de maio de 2010

JARDINEIRO FIEL




Olá,
Lendo Fernando Pessoa comecei a refletir sobre relacionamentos e práticas de jardinagem. O título da postagem serve como dica de filme, nestes tempos de Copa do Mundo na Africa, vale a pena assistir, mas os temas são política, indústria farmacêutica, no continente africano. É um filme muito bom para quem gosta de filmes de fundo político. É que me lembrei que no filme, mesmo nas situações adversas, o jardineiro nunca se esquecia das plantinhas...
Beijos e boa leitura!
Eliete Nascimento


Fernando Pessoa, sob o pseudônimo de Ricardo Reis compôs um poema que começa assim “segue o teu destino/rega as tuas plantas/ama as tuas rosas/ o resto é sombra de árvores alheias/ a realidade é sempre mais ou menos do que queremos” (...) .
Gosto de Fernando Pessoa incondicionalmente, com todos os seus “nomes”.
Dia desses a filha de uma amiga muito querida, que faleceu em fevereiro, me escreveu dizendo que estava “tentando cuidar de todas as plantinhas da mãe dela”, mas que não tinha muito tempo e se desesperava com a possibilidade de não conseguir. Claro que ela não estava se referindo às flores de verdade, mas às pessoas a quem a mãe dela cativou, com o coração, com o respeito, com a sinceridade, exemplos de amizades que mesmo com regas espaçadas não morreram; relações que floresceram vagarosamente, acariciadas pela sabedoria do tempo.

Ao longo da vida, regamos muitas plantas, amamos muitas rosas. Outras vezes somos nós as rosas; somos nós as plantas, cuidadas por algum “jardineiro fiel”.

Por vezes, são relações que não se baseiam em amizades, mas sim relações de respeito e admiração. Não é bom ter alguém para admirar? Alguém para se inspirar como exemplo de luta? Alguém para dizer: “quando eu crescer quero ser igual a você!” Eu já disse isso no pé do ouvido de alguém que eu admirava muito!

E tem aquelas relações de guru: você precisa de um conselho e em quem você pensa? naquela pessoa! Você está passando por uma situação difícil, pega o telefone e liga para aquela pessoa! E quando a relação de respeito vira uma amizade baseada na sinceridade, quando fala a outra voz, lá no fundo você pensa: “sabe que ela tem razão?!”

E quando as relações estão no trabalho?
Às vezes, no ambiente de trabalho precisamos fazer regas também. As rosas, espinhentas, porém especiais, afinal, dão flores magníficas, tudo certo! Mas e aquelas plantas teimosamente espinhentas, venenosas e que não florescem nunca? Ah, mas cabe agora ao jardineiro fiel oferecer uma pá de generosidade, e com ela, sementes do bem, pois elas também precisam de rega, muita água, talvez precisem muito mais de água do que as rosas...
Considero que o melhor é cumprir à risca, mesmo na ordem inversa, o que diz o Pessoa: “ama as tuas rosas, rega as tuas plantas e segue teu caminho”...
Eliete Nascimento

quarta-feira, 5 de maio de 2010

MÃE É BOM MAS DURA POUCO




Olá,
Hoje trago um texto sobre mãe, claro! Com toda saudade, com todo carinho, com todas as lembranças maravilhosas da minha mãe!
Desejando Feliz Dia das Mães para as amigas e suas mães.
Um beijo especial e boa leitura!
Eliete Nascimento.


MÃE É BOM MAS DURA POUCO

Para quem tem ao seu lado uma mãe “vivinha da silva”, o segundo domingo de maio pode ser uma data especial, afinal toda a mídia fala sobre o dia das mães. Mas para aqueles cujas mães já se foram, esse dia é só um dia a mais para sentir saudade.
Mário Prata diz numa crônica que “filho é bom, mas dura muito” e eu digo que “mãe é bom, mas dura pouco”. Não adianta, sua mãe pode morrer bem velhinha, mas ainda assim você vai achar que é pouco.

O sentimento que temos pela mãe, este sim, dura muito. É uma saudade sem fim. Às vezes vem precedida de um susto: você acorda atrasada, toma banho, está se maquiando para ir ao trabalho, com pressa, cabelo preso, cara no espelho, se olha e pensa: “nossa, estou igualzinha a minha mãe” e depois disso vem um aperto no peito. Mas prende o choro e sai correndo para trabalhar, afinal, quem foi que te ensinou a cumprir com seus compromissos?

No outro dia você está com sua filha e diz “não pode jogar comida fora, tem muita gente passando fome no mundo”. Pronto! Lá está a ela, a sua mãe, de novo!

Um dia você acorda de madrugada e fica olhando a lua pela janela, com um nó na garganta, seu marido acorda assustado e pergunta “ o que foi, meu amor, está passando mal?” e você responde, já chorando baixinho: “to com saudade da minha mãe” e nestas horas um abraço reconfortante é tudo que você precisa...

Ela, a sua mãe que já se foi, está todos os dias na sua casa! Seja quando você está pensando na roupa com que vai usar para ir ao trabalho no dia seguinte “deixe sua roupa arrumada de véspera”; seja quando você coloca uma foto no Orkut e um primo comenta: “nossa, você esta muito parecida com a minha tia nesta foto”.

A cada alegria que você vive, pensa: “ela ia gostar disso”; a cada tristeza, você pensa: “ah, como eu queria deitar no sofá e colocar a cabeça no colo da minha mãe”...

É uma saudade tão forte, tão presente, tão fazendo parte de você, das suas ações, do seu jeito de ser...
Eliete Nascimento